Meia calabreza, meia muçarela. Assim terminaram os dois processos administrativos abertos pela Prefeitura para apurar o escândalo do Bagres. Os dois servidores envolvidos no caso, Marco Franceschi e Wilson Teixeira, respectivamente engenheiro da Prefeitura e ex-secretário de Planejamento Urbano, foram suspensos por 20 dias, com prejuízo dos salários, mas continuam empregados como servidores públicos.
A informação foi divulgada ontem pela Prefeitura através de nota oficial. Procurado pela reportagem, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), responsá-vel pela decisão, informou, via secretárias, que não faria pronunciamentos sobre o caso.
Procurado, Wilson Teixeira - que pode se aposentar em janeiro - disse que não havia sido comunicado. “Eu não posso fazer uma análise porque eu nem estou sabendo do resultado oficialmente. Preciso primeiro ver a decisão por escrito e falar com meu advogado para ver os procedimentos”.
Já Marco Antonio Franceschi afirmou, ainda, que considera a sentença injusta e que vai recorrer. “Se não tem culpa, erro nenhum, temos que recorrer. Até agora ninguém falou onde está o erro”, disse.
A decisão da Prefeitura assegura aos dois funcionários a permanência no serviço público, mas não encerra o caso. Em um inquérito em andamento na Justiça criminal, ambos podem ser condenados a até sete anos de cadeia por crimes de conluio e formação de quadrilha.
DECISÃO
Segundo nota enviada ontem pela Prefeitura, o Processo Administrativo de número 15.326/2007, que investigou a eventual alteração de preços nas planilhas de custos para a execução dos serviços de alargamento e rebaixamento da calha do canal do Córrego dos Bagres, concluiu que não houve problema.
De acordo com o comunicado, que contraria a versão apresentada pelo Ministério Público, concluiu-se que, “na análise do orçamento elaborado pelo Engenheiro Marco Antonio Franceschi, os serviços considerados como base de orçamento sintético estão corretos com o projeto apresentado pela empresa Betontest. Concluindo que não houve superfaturamento, o prefeito determinou o arquivamento do referido procedimento, absolvendo os servidores”.
Já uma segunda auditoria, o Processo Administrativo nº 15327/2007, apurou que havia vício na forma como a licitação do projeto técnico das obras foi conduzida, mas que nenhum dos funcionários atuou com dolo. Resumidamente, foram incompetentes, não corruptos.
Nesse caso, a Betontest, que foi contratada para efetuar o projeto, foi condenada a devolver, com correção monetária, os R$ 10 mil referentes à primeira parcela do valor contratual de R$ 40 mil que teria a receber. Além disso, Teixeira e Franceschi foram suspensos por 20 dias.
Colaborou Pablo Santos Pinto
<b>ESCLARECIMENTO DO COMÉRCIO DA FRANCA A RESPEITO DA GRAFIA DE MUÇARELA
O jornal fundamenta-se no Dicionário da Língua Portuguesa e, principalmente, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, que traz a palavra em questão grafada com ç na página 538, de sua 4ª edição (2004).
Segundo o professor do curso de Letras da Unifran, Everton de Paula, a explicação se dá pelo fato de que palavras aportuguesadas derivadas do italiano escritas com zz na língua original devem ser grafadas com ç no Português.
O Comércio mantém a grafia de muçarela.</b>
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