Os 50 anos do Sputnik


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Em 4 de outubro de 1957, a humanidade entrava na era espacial, o primeiro satélite artificial, denominado Sputnik (que significa satélite, ou seja, companheiro de viagem), era lançado em órbita da Terra. E o feito, que surpreendeu o mundo, foi da União Soviética. O dispositivo era uma esfera de 83 quilos e de 58,5 cm de diâmetro, tinha a superfície de alumínio bem polida para melhor refletir a luz do sol para ser vista da Terra. Dois transmissores, no satélite, produziam um bip-bip (ouça em www.catanduvaemdia.com/Sputnik.mp3) em freqüências que até os radioamadores podiam captar. Os russos não se deram conta do que sua façanha tecnológica teria no Ocidente. Os jornais americanos deram muita importância não só com notícias a respeito mas com muitas análises das possibilidades tecnológicas e militares. Cidadãos comuns escutavam nos radioamadores e observavam à noite o ponto de luz em movimento. Outro cidadão surpreso foi Wernher von Braun, o criador dos foguetes alemães e que trabalhava no programa espacial do Exército Americano. Ele culpou o Pentágono por não querer um satélite no míssil Jupiter-C em que trabalhava. Somente em janeiro de 1958, os americanos lançaram o Explorer-1 através de um foguete de vários estágios, baseado no Jupiter-C. Ainda assim, os russos permaneceram na frente. Lançaram o Sputnik II, em 3 de novembro de 1957, com 543 kg e contendo o primeiro ser vivo, uma cadela da raça laika, chamada Kudriavka, que teve seus dados biológicos monitorados durante a jornada. Muitos historiadores afirmam que não haveria corrida espacial se o Sputnik não tivesse sido lançado. Afinal, a tecnologia espacial é muito cara e perigosa. Há quem diga que ‘superioridade’ dos mísseis soviéticos, que se tornou tema da campanha presidencial de 1960, pode ter garantido a vitória de Kennedy por uma pequena margem. Em abril de 1961, outra façanha da União Soviética, Yuri Gagarin foi o primeiro ser humano a voar em órbita da Terra. Em 25 de maio, Kennedy foi ao Congresso e declarou seu objetivo de, antes do final da década, levar um homem até à Lua e trazê-lo de volta são e salvo à Terra. De fato, a corrida espacial só se encerrou com o pouso da Apolo 11. Em 20 de julho de 1969, Neil Armstrong desceu a escada do módulo lunar e deu os primeiros passos de um ser humano em outro corpo celeste. Ele e Buzz Aldrin foram, de fato, os primeiros astronautas, no sentido lato da palavra. A conquista espacial também é para o Brasil motivo de orgulho e trabalho. Nos últimos 45 anos, os pesquisadores brasileiros desenvolveram foguetes e equipamentos aeroespaciais que somam conhecimento e know how, apesar de governos e de ministros de planejamento contingenciadores de recursos. MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.

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