Quando os romanos dominaram a Grécia, a partir do século 2 a.C., a então ginástica olímpica foi sufocada e entraram no lugar as lutas e os combates mortais, adorados pelos dominadores. Só no século 18, com o Iluminismo promovido pelos europeus, o charme e a força da ginástica ressurgiram. Guardadas as proporções, o atual período da ginástica artística em Franca rompeu a "barreira romana" e entrou no período das "luzes". A cidade fará a inauguração de um centro de treinamento amanhã e abre as portas para um sonho compartilhado por antigos atletas locais: ter um representante francano na seleção brasileira. O CT fica no Complexo Américo Pizzo, ao lado do Ginásio Poliesportivo, nos antigos pavilhões da Francal. No evento está confirmada a presença de Luiz Augusto dos Anjos e Roberta Monari, ambos da seleção brasileira de ginástica, além de Hugo Hoyama, mesa-tenista recordista brasileiro em ouros na história dos Jogos Pan-Americanos.
A realidade do centro de treinamento local é distante do que existe em Curitiba (PR), que tem a melhor estrutura oferecida no País. No entanto, em equipamentos, o local está quase completo. Possui cavalo com alça, pista de mola, barra fixa, barra paralela assimétrica masculina e feminina e trave de equilíbrio. Ainda foi montada uma argola adaptada para alguns movimentos.
A principal deficiência está na ausência da mesa de salto tanto no masculino quanto no feminino. Também são necessárias melhorias na argola e no cavalo com alça, equipamentos com cerca de 30 anos de uso. O restante foi adquirido ao custo de R$ 30 mil.
A técnica da modalidade, Katielli Silva Fonseca, reconhece existirem necessidades, mas pondera que o momento é único. "A cidade será sede dos Jogos Regionais em 2009 e temos atletas reconhecidos nacionalmente. Franca está aparecendo no cenário da ginástica", disse.
O CT serve para a equipe principal da cidade treinar, mas o seu maior destino é atender uma escolinha formanda neste ano, mantida pela Prefeitura, e que já possui 150 alunos, com idades entre 7 a 14 anos. O interesse pela modalidade é grande na cidade. Tanto que 90 crianças deram o nome para formar uma fila de espera. "Quero fazer com que Franca se torne um centro de treinamento e ainda tenha um menino ou uma menina na seleção brasileira", disse o monitor Eliseu Ferreira Rezende, 30, um dos primeiros atletas da cidade e já convocado para defender o Brasil na década de 90.
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