Começo a reflexão sobre a cultura cafeeira com uma indagação: seria mais apropriado tratarmos do café de São Paulo ou sobre São Paulo do café? Essas idéias se confundem quando falamos sobre essa atividade agrícola que reproduz a história econômica de nosso Estado e a trajetória do agricultor paulista. Mas o nosso café não vive do passado, ele persegue os desafios presentes de garantia de qualidade e mercados. Somos o terceiro maior Estado produtor de café do País, a infra-estrutura e a rede de industrialização fazem com que sejamos responsáveis por mais de 50% da agregação de valor ao produto, pelo Porto de Santos também sai quase toda a nossa exportação e o paulista consome 40% do café brasileiro.
Isso mostra a importância da cafeicultura para o nosso Estado. Dentre as regiões em destaque, a de Franca reproduz o ideal do café de qualidade, com uso de tecnologia, apostando na seleção dos grãos e no manejo correto da colheita, secagem, armazenagem e comercialização. Por isso, o trabalho que envolve a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo junto com o setor produtivo, por meio das ações da Câmara Setorial do Café, uma das mais dinâmicas entre as 26 cadeias produtivas abrigadas dentro da Secretaria, é contínuo e desafiador.
Durante todo o ano, são várias ações: iniciamos em junho com a realização da Campanha Sabor da Colheita, com a colheita do único cafezal da capital paulista, como estratégia de marketing e lançamento da safra no Estado. Depois, durante todo o período, são feitas palestras e dias de campo com a participação das cooperativas para a garantir a qualidade dos grãos. Os concursos regionais, entre eles o da Alta Mogiana, ocorrem em mais de dez regiões, escolhendo os melhores cafés da safra, e culminam com o Concurso Estadual e a edição dos melhores cafés, chegando, então, às gôndolas dos supermercados. Portanto, produzimos e tomamos o melhor café.
A aposta na qualidade do produto não se restringe à assistência e orientação técnica da Secretaria e da Câmara Setorial, mas também a dar condições financeiras para que o produtor possa investir na agregação de valor. Dentro do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), oferecemos linhas de financiamento àqueles produtores com renda bruta anual de até R$ 400 mil (pequenos e médios), com juros de 3% ao ano para investimentos na formação da lavoura e equipamentos de secagem. O programa Selo de Qualidade de Produto de São Paulo, certificado pela Fundação Vanzolini, propõe regras de produção para garantir a qualidade e a agregação de valor ao produto, premiando com o selo de São Paulo estampado nas embalagens.
O café e o cafeicultor paulista têm duas características que os definem: os grãos são de qualidade e, os seus produtores, verdadeiros empreendedores. As crises vêm, algumas até são retratadas poeticamente como na obra Cidades Mortas do escritor Monteiro Lobato, na qual ele mostra a derrocada do café nas cidades do Vale do Paraíba. Outras crises são encaradas com a praticidade comercial exigida nas intempéries econômicas e climáticas. Mas, no final das contas, a cafeicultura paulista é a que se supera a cada safra.
JOÃO SAMPAIO é produtor rural e secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
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