Nos últimos tempos, houve uma mudança qualitativa no governo Lula que reflete, no fundo, um aprendizado contínuo sobre a arte de administrar, que vem desde as câmaras interministeriais do governo Fernando Henrique Cardoso.
A primeira grande mudança ocorreu com a saída de José Dirceu da Casa Civil e de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda. Havia um embate feroz entre ambos e suas equipes que paralisava parte das ações de governo.
Mas foi importante também a saída de Joaquim Levy da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Levy tinha dois problemas: era ultra-ortodoxo e competente. Nas reuniões internas do governo, era o primeiro a torpedear qualquer iniciativa que pudesse ser configurada como flexibilização orçamentária. Quando a determinação era para valer, sentava em cima dos projetos, o mesmo ocorrendo com Palocci.
Além disso, Lula carecia de informações para poder questionar os Ministros sobre o que estava sendo feito.
Com a saída de Dirceu, a Casa Civil ficou focada exclusivamente em ações administrativas. O principal avanço foi na criação de indicadores e de um início de planejamento de investimentos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Ministra Dilma Rousseff.
A estrutura criada acabou permitindo o monitoramento das ações de governo na ponta. Na Casa Civil esse trabalho passou a ser tocado por Mirian Belchior e Teresa Campello, o que permitiu a Lula maior controle sobre as ações dos ministérios.
Outro avanço foi uma definição mais clara de prioridades e a garantia de liberação de recursos, seja para o PAC propriamente dito, como para outras ações sociais relevantes, como segurança, educação e tecnologia.
Com essas ferramentas à mão, o passo seguinte foi juntar as ações dos ministérios sociais de acordo com os públicos a serem atingidos. Por exemplo, o Pro-Jovem - destinado a jovens entre 18 e 25 anos que não terminaram o ensino fundamental - juntou dois programas do Ministério do Trabalho, um do Ministério do Desenvolvimento Social, dois do Ministério da Educação sob a coordenação da Secretaria Geral.
Esse tipo de coordenação de despesas já havia sido tentado no governo FHC pelo Ministério do Planejamento, através do programa Avança Brasil. Mas houve um erro conceitual, de colocar à frente dos projetos gerentes, sem ligação com a estrutura dos ministérios e sem ascendência sobre os Ministros.
O erro foi corrigido e, agora, os próprios Ministros são convocados para as ações interministeriais e responsáveis diretos pelos resultados na sua área.
Outro ponto importante foi o novo papel dos ministérios econômicos. Com a saída de Palocci, tanto o novo Ministro da Fazenda Guido Mantega, quanto o do Planejamento Paulo Bernardo, deixaram a função de brecadores de despesa pela de orientadores.
Eles e seus escalões técnicos passaram a colaborar com os ministérios para arredondar o cronograma de liberações e a montagem dos projetos.
Com essas pontas amarradas, há mais facilidade para Lula cobrar ações e resultados.
Educação
Porque Educação vai indo melhor do que Saúde? Segundo fontes palacianas, o modelo institucional da Educação é mais funcional. Estados e municípios são responsáveis por parte das ações. E os agentes estão muito bem definidos: Secretarias Municipais e Estaduais, Universidades, rede de escolas. Assim, fica fácil implementar programas tipo Fundeb - que amplia o volume de recursos federais na ponta.
Coalizão PMDB 1
Para setores do Planalto, o grande foco da disputa política é em cima da coalizão PT-PMDB. É o que explicaria o fato de, apesar de parte dos problemas do senador Renan Calheiros ser conhecido há tempos, só agora ter sido levantado, e com uma ferocidade incomum. Mas considera-se que se o PMDB lançar algum candidato nas próximas eleições, será apenas para aumentar o cacife para o segundo turno.
Coalizão PMDB 2
Não se acredita que o candidato do PMDB seja o Ministro Nelson Jobim e, sendo, não se acredita em apoios maiores. O PMDB é muito complexo, muito regionalizado para permitir consenso em torno de candidates. Na Bahia, por exemplo, o Ministro Geddel Viera prepara-se para, em aliança com o governador petista Jacques Wagner, conquistar o espólio de ACM. Qual seu interesse em apostar em Jobim?
Silas Rondeau
O ex-Ministro de Minas e Energia Silas Rondeau está prestes a recuperar o cargo que perdeu. O motivo foram suspeitas levantadas pela Polícia Federal, que, depois, se mostraram infundadas. Considera-se Silas um técnico respeitado e honesto, mas não se coloca a mão no fogo por alguns assessores, indicados por partidos políticos da base aliada. Se for reconduzido, Silas será liberado para escolher seus assessores.
Eleições 2010
No Palácio, sabe-se que ainda não há um nome forte da situação. Mas as avaliações dos pesquisadores políticos indicam que, se não houver nenhum terremoto econômico, o eleitorado vai querer a continuidade. Apesar dos dois nomes mais fortes, atualmente, serem da oposição (José Serra e Aécio Neves) avalia-se que, se a situação econômica não piorar, terão dificuldades com o discurso político.
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