Ana Júlia Damaceno, de apenas 7 meses, morreu ontem às 10h30 no Pronto-Socorro Infantil depois de ser consultada por cinco médicos diferentes no PS e na UBS do Brasilândia entre segunda, 24, e sexta-feira, 28. Desde domingo, estava com diarréia, vômito, febre de até 39 graus e tosse. Desesperada, a mãe, Sheila Damaceno, 20, que é sapateira e mãe de outras duas crianças, quer saber do que a caçula morreu. Foi aventada a possibilidade de Ana Júlia ter sido a quinta vítima de meningite em Franca neste ano, mas a causa mortis apontada pelo legista é indeterminada. Autoridades não se manifestam sobre o caso.
Nas cinco vezes que procurou atendimento médico, o diagnóstico feito à mãe foi virose. Os médicos medicaram a criança com soro e receitaram antibiótico, antitérmico e soro caseiro para serem ministrados em casa. “Falaram que estava com virose, mas que não era grave e passaria nuns dez dias”, disse Sheila.
Os sintomas começaram no último domingo. Sheila disse que a filha vomitou depois de mamar, mas ela pensou que fosse apenas regurgito. Como na segunda-feira tornou a vomitar e teve diarréia, levou-a ao PS Infantil à noite. A criança foi medicada e liberada. Na terça, não houve melhora e a mãe voltou a procurar o médico do PS pela madrugada. “Dessa vez, a médica pediu raio-X. Ela disse que deu manchinhas no pulmão, mas receitou antibiótico e nos liberou”. Na quinta-feira, a bebê acordou com a boca ressecada, febril e chorando. A mãe levou-a para a UBS do Brasilândia, de onde foram PS. A nenê recebeu alta após tomar soro e antitérmico.
De quinta para sexta, a criança não dormiu bem e acordou com febre. Pela manhã, a mãe medicou a filha com dipirona e deu banho para baixar a temperatura. “Depois fui até a casa da minha mãe, porque a menina estava muito molinha, quieta demais. Quando minha mãe pegou ela no colo, falou: ‘Sheila, corre para o médico pra você não perder sua filha’”. Ela voltou ao Pronto-Socorro Infantil, mas, desta vez, saiu sem a criança. “Cheguei, passei direto pela recepção e entreguei a Ana Júlia nos braços da enfermeira e pedi para salvar minha filha. Pouco depois, eu estava no corredor e o médico só olhou para mim e falou: ‘Mãe, fizemos tudo que pudemos....’, disse, chorando, e com uma das sandalhinhas da filha nas mãos.
Sheila quer entender o que aconteceu. “Não acredito que os médicos fizeram tudo que podiam para salvar minha filha. Não fizeram exame de sangue, nem de fezes, nem de urina. Quero uma explicação, quero justiça”. A DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) fez boletim de ocorrência para averiguação de homicídio culposo. O delegado Benedito Quiodeto pediu necropsia e aguardará o laudo do exame das vísceras, que deve sair em 40 dias. “Fizemos o BO e requisitamos exames do corpo para saber se houve negligência”.
Enquanto não descobre o que matou a filha, Sheila diz que pedirá a Deus forças para cuidar dos outros dois filhos: Natália, de 3 anos, e Mateus, 2,. “Queria ver minha filha estudar, crescer, ser feliz, mas não terei como”. O velório de Ana Júlia acontece na casa da avó, no Jardim Centenário. O sepultamento será às 10 horas de hoje no Cemitério Santo Agostinho.
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