O secretário Municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, não comentou a morte de Ana Júlia Damaceno. A reportagem encaminhou nove perguntas ao secretário para saber quantas vezes exatamente a criança foi atendida no Pronto Socorro Infantil, qual o diagnóstico feito pelos médicos em todas as vezes, quais os protocolos adotados, quais os tratamentos oferecidos, por que não foram feitos exames de sangue, urina e fezes e por que a criança não foi internada uma vez que passou ao menos cinco vezes pelo PS num intervalo de cinco dias. Ele não respondeu diretamente a nenhuma delas e se limitou a dizer, por e-mail, que a secretaria investigará “o ocorrido com a criança e o atendimento dispensado a ela”.
O médico Renato Del Bianco, diretor dos pronto-socorros municipais, também foi procurado pelo jornal para comentar o caso, mas não pôde se manifestar. “Por favor, entre em contato com o secretário de Saúde para maiores esclarecimentos”, disse.
O pediatra que atendeu a criança na UBS do Brasilândia pediu para não ser identificado, mas falou sobre o atendimento que prestou à paciente. Na quinta-feira disse que a criança chegou à unidade com desidratação de segundo para terceiro grau e precisava de hidratação venosa, feita somente no Pronto-Socorro Infantil. A ambulância transportou a criança para o PS.
Segundo o médico, desidratação é grave e pode matar. “As viroses podem ocasionar desidratação que em alguns casos evoluem de uma hora para outra e são letais. Não sei os procedimentos adotados no Pronto Socorro, mas geralmente, em quadros de desidratação a recomendação é reidratar. Os exames se tornam secundários”.
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