Deus, amigo dos pobres


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Neste domingo a Palavra de Deus vem questionar nossa vida cristã querendo nos ajudar a viver melhor. A primeira leitura é um trecho do profeta Amós. O seu ataque duro, violento, é contra os chefes políticos, os aristocratas, que possuem seus palácios na cidade da Samaria. Nesta página está contida a indignação de Amós, o profeta de ovelhas, acostumado a dormir ao relento, que sente náusea pelos desmandos e pelas orgias de quem acumulou fortunas por meio de opressões e roubos. O texto termina com uma terrível ameaça: dentro de poucos anos virão os inimigos, os assírios, que incendiarão seus palácios e destruirão a cidade. O profeta critica os nobres e poderosos por depositarem sua confiança em falsas seguranças. Ensina que certo está quem deposita sua confiança em Deus, pois Ele faz justiça aos que são oprimidos e dá alimento aos famintos. A segunda leitura é um trecho da carta de Paulo a Timóteo. O apóstolo está preocupado porque nas comunidades cristãs estão se infiltrando alguns “falsos mestres” que difundem doutrinas exóticas, que desviam os cristãos da verdade. Paulo sugere a Timóteo que se afaste de tudo o que possa comprometer o anúncio da Boa Nova e que siga o ideal cristão de justiça, piedade, fé, firmeza e mansidão, convicto de que Jesus Cristo é o único Senhor e Salvador. A mensagem do Mestre não pode ser modificada, nem suavizada para omitir as partes mais desafiadores, tentando adaptá-las aos modismos para torná-la aceitável a quem, para não ser perturbado, está disposto a distribuir favores, honrarias, privilégios e vantagens econômicas. No Evangelho encontramos uma palavra muito forte, quase assustadora. Jesus conta a parábola do rico e do indigente Lázaro. Mostra o rico opulento banqueteando-se e esbanjando os bens adquiridos às custas da miséria dos pobres, aqui personificado na figura do pobre Lázaro, a quem não é permitido sequer se alimentar das migalhas que caem da farta mesa. A morte nivela a ambos, mas seus destinos são diferentes. Lázaro, em vida ferido no corpo e na dignidade, é levado pelos anjos para junto de Abraão; o rico, que gozara a vida sem se importar com a eternidade, mergulha nos tormentos do inferno. A história do rico e do pobre Lázaro pode ser vista diariamente nos palcos da vida social. A parábola não tem a finalidade de emitir julgamento sobre comportamento moral de ambos. Jesus fala de um rico que é condenado, não porque era malvado, mas simplesmente porque era uma pessoa isolada no seu mundo e não aceitava o ideal da partilha dos bens. Os bens foram dados para todos e quem tem mais deve dividi-los com quem tem menos, de modo a que haja igualdade e para que se criem condições de vida, dignas de pessoas humanas. Então, antes de alguém permitir-se luxos, é preciso que todos tenham tido condições de satisfazer as suas necessidades mais simples. Cristo chama todos à conversão. E a conversão vem pelo anúncio da Palavra de Deus. Só ela pode abrir as portas do Reino dos céus a todos, de modo especial, aos mais egoístas. HISTÓRIA ANTIGA O egoísmo que reina no mundo, a corrupção, o mau uso do dinheiro público, as trocas de favores constituem uma história muito antiga. O poder torna cego o homem. Pela sua influência atravessa a dignidade das pessoas, destrói a oportunidade do outro e não se respeita o direito do seu irmão, pois somos filhos de Deus e irmãos uns dos outros. Os livros relatam essas histórias, os filmes esboçam situações desse tipo e as novelas estão recheadas de papéis maldosos. Enquanto vivermos neste mundo sempre vamos nos deparar com estes momentos tristes. E O FIM? A Bíblia apresenta diversas páginas que afirmam que diante de Deus, na hora do nosso julgamento particular, as coisas serão totalmente diferentes. Quando morrermos, estando diante de Deus vamos notar claramente que este mundo é maravilhoso, pois foi criado por Deus, e Ele viu que tudo que fora criado, era bom. Vamos enxergar que não soubemos aproveitar as maravilhas que foram criadas por causa do nosso orgulho, pelas vezes que fomos egoístas e por todos os momentos que deixamos de ajudar o semelhante. É preocupante ter muito e guardar para si tudo que possuímos. No céu acontecerá o inverso das coisas vividas aqui. TER INVEJA? PODE ROUBAR? A inveja nunca é permitida, é um pecado, isto é, ela nos afasta do convívio com Deus e nos torna irritados com o próximo. A inveja também aliena. O roubo é atitude totalmente inconcebível para o cristão. Nem os ricos, nem os pobres podem roubar. Não é lícito tal atitude. O discípulo de Jesus deve ser alguém sábio que deposita sua confiança em algo sólido para não comparecer à presença do Senhor de mãos vazias, a exemplo do rico opulento. SOLIDARIEDADE Existem ricos que ajudam, pobres que se doam e repartem o pouco que têm: tudo realizado por amor. Há poucos dias escutei: tudo que reparti até hoje, nunca fez falta, por que Deus imediatamente me cumulou de tantas outras coisas para que eu pudesse ajudar ainda mais. Hoje fala-se tanto do trabalho das Ongs: como é valioso esse desprendimento e quantos frutos brotam, pois muitos são ajudados. São bem-aventurados os que podem e não negam. São felizes sempre aqueles que querem ajudar e ajudam. A mão doadora nunca fica vazia. PENSAMENTO Dai-nos olhos para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs.

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