A limitação de Ricardo Teodoro, hoje com 30 anos, não o fez deixar de curtir o que gosta. Ele viaja sozinho a São Paulo, anda de metrô e, em Franca, curte baladas e dirige o carro que adaptou para seu uso. Há três anos, ele não relatava sua história. Durante entrevista ao Comércio, se emocionou várias vezes, principalmente nos momentos em que fala do pai e do crime.
Comércio: Você chegou a acompanhar a punição aos menores que te assaltaram?
Ricardo: O que me esfaqueou foi para a Febem, mas hoje é maior de idade, ficou com a ficha limpa desse crime. Os outros três ficaram livres livres. Hoje, não sei como estão porque não acompanho a vida deles.
Comércio: O que você pensa sobre essa punição?
Ricardo: Eu tenho a sensação de que a Justiça não foi feita e não é pelo fato deles não ficarem presos, porque cadeia não vai resolver o problema. Digo isso porque eles voltaram à criminalidade e, na verdade, acho que deveriam ser reeducados.
Comércio: Então você perdoou os criminosos?
Ricardo: Não sei. Pelo menos não sinto vontade de vingança.
Comércio: Como é sua vida hoje?
Ricardo: Eu não paro, tento levar uma vida normal. Continuo batalhando. Prestei dois concursos, num deles quase passei, mas tinha um deficiente mais inteligente que eu (brinca).
Comércio: De onde vêm os recursos para seu sustento?
Ricardo: Recebo um benefício do INSS.
Comércio: E em casa, como você se vira?
Ricardo: Hoje, eu faço de tudo. Tirei carta para o carro adaptado, mas ainda não dá para ficar passeando de carro porque estou desempregado. Sou abençoado, arrumo umas namoradas bonitas, freqüento cinema, shows, vou a todos lugares que tenho vontade. Não fico chorando, mas a vida ainda continua sendo dura porque nada é adaptado para mim.Agora sou deficiente.
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