O homem do vôlei


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O técnico Paulo Silveira, que comanda o time francano Carmen Steffens no Campeonato Paulista de Vôlei Feminino. Meta para 2008 é a disputa da Superliga, o maior campeonato do País
O técnico Paulo Silveira, que comanda o time francano Carmen Steffens no Campeonato Paulista de Vôlei Feminino. Meta para 2008 é a disputa da Superliga, o maior campeonato do País
<p>Um apaixonado por voleibol. Assim pode ser descrito o palmeirense Paulo Eduardo Franchi Silveira, 50. Com 22 anos dedicados ao esporte, ele atua na formação de jovens atletas nas categorias de base do vôlei francano e encara, atualmente, um dos maiores desafios de sua carreira: comandar um time adulto - o Carmen Steffens - no Campeonato Paulista, o mais forte e disputado do Brasil.</p> <p><br />O treinador, que já dirigiu equipes nas categorias de base da Seleção Brasileira, afirmou ser amigo e admirador do trabalho do técnico José Roberto Guimarães, que dirige atualmente o time adulto feminino do Brasil.</p> <p><br />Após um início complicado no torneio, em que sua equipe sofreu sete derrotas seguidas, o time conseguiu a primeira vitória, diante de São José dos Campos. “Após esta vitória, parece que tiramos um piano de nossas costas”, disse.</p> <p><br />Em uma descontraída entrevista, Silveira falou dos desafios de manter o voleibol em uma cidade apaixonada pelo basquete e revelou projetos para o futuro, como a disputa da Superliga Nacional já em 2008. Confira os principais pontos da entrevista. </p> <p><strong>Comércio da Franca - Após 16 anos sem um time profissional de vôlei, Franca tem novamente uma equipe entre as potências do esporte paulista. É a realização de um sonho?<br />Paulo Silveira</strong> - É muito mais do que isso. A montagem do time é o reconhecimento de um trabalho que fazemos há muito tempo. Neste período que ficamos fora do cenário do vôlei adulto, sempre mantivemos equipes nas categorias de base que conseguiram excelentes resultados. Hoje, por exemplo, somos líderes invictos de todos os torneios que disputamos nos times de base. Era frustrante ver as jogadoras que se formaram aqui terem que sair de Franca porque não existia time adulto na cidade. A Lígia Ronca, atualmente na Espanha, além de atletas nos Estados Unidos e nos maiores times do Brasil, são exemplos. Estamos plantando novamente a semente, é um trabalho a médio prazo e com certeza os resultados virão. </p> <p><strong>Comércio - O time teve um péssimo início no Campeonato Paulista, sofrendo sete derrotas consecutivas. Como você reagiu à cobrança da torcida, que chegou a questionar seu trabalho?<br />Silveira -</strong> Nossa equipe é muito jovem e foi montada muito depressa. Contratamos jogadoras que haviam estourado a idade no juvenil em outros times do País e fomos para a briga. Muitos falam que o time é fraco e limitado, mas acredito no potencial das minhas jogadoras e, após a primeira vitória (São José dos Campos, em 22 de setembro), o time vai se soltar e brigar pela classificação. Estamos no primeiro ano do nosso trabalho e nossa meta é conseguir a classificação para a segunda fase do campeonato e montar uma base para continuarmos no ano que vem. Em 2008, vou promover algumas atletas de potencial do time juvenil e com duas ou três contratações, vamos incomodar e muito os times grandes do vôlei nacional. </p> <p><strong>Comércio - Como a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) vê o trabalho desenvolvido em Franca?<br />Silveira</strong> - Um mês atrás, uma comissão da CBV assistiu a uma das nossas partidas e também conheceu nosso trabalho esportivo e social. Eles ficaram maravilhados com a presença do torcedor e com a estrutura e prometeram nos auxiliar em um futuro próximo para a montagem de uma equipe mais competitiva. <br />Este apoio permitirá que nosso time dispute a Liga Nacional em 2008. O torneio classifica o campeão e o vice para a Superliga do ano que vem. Nosso objetivo é disputar o Campeonato Paulista, Jogos Abertos do Interior, a Liga Nacional e a Superliga. O nome de Franca estará entre os grandes do vôlei, pode escrever isso! </p> <p><strong>Comércio - Como é montar um time de vôlei em uma cidade apaixonada pelo basquete?<br />Silveira</strong> - Como eu disse anteriormente, estamos no início de nosso trabalho com o time adulto. O basquete tem mais de 50 anos de história em Franca e possui méritos em todas as suas conquistas. Mesmo com toda esta tradição, o time já passou por momentos difíceis, sem patrocínio.<br />Creio que existe espaço para todo mundo que trabalhe honestamente. Inegavelmente, o voleibol brasileiro está no seu apogeu, tanto no masculino como no feminino. Franca adora esportes e está acolhendo o vôlei feminino de braços abertos. Se um dia meu trabalho for questionado, que me demitam. O importante é que o vôlei sobreviva, independente de quem esteja no comando. Franca será também a terra do vôlei. Franca tem mais de 300 mil habitantes e existe espaço para todos. </p> <p><strong>Comércio - Qual a maior decepção da sua carreira?<br />Silveira -</strong> Há alguns anos, montamos um time que ganhou tudo no juvenil. Contávamos com o apoio de uma universidade da cidade e fomos convidados para disputar o Campeonato Paulista. O time era muito bom, e com mais duas ou três jogadoras experientes, teríamos condições de brigar por títulos. Antes de entrar de férias, os patrocinadores me garantiram que o apoio continuaria e que as contratações seriam feitas. Quando retornei, fui informado que a verba havia sido cortada e que não haveria mais equipe. Me senti traído, foi realmente uma apunhalada pelas costas, mas a vida continua. </p> <p><strong>Comércio - Como é seu trabalho nos núcleos de formação esportiva nos bairros de Franca?<br />Silveira -</strong> O vôlei é apaixonante e temos mais de quinhentas crianças praticando o esporte na cidade. Além de formar atletas, estamos formando cidadãos para o futuro. Eu prefiro formar um cidadão de conteúdo do que um atleta vazio, sem estudo e cultura. Para participar dos nossos núcleos, as crianças têm que estar matriculadas e freqüentando a escola, com notas boas. Se a atleta não viver do esporte, ao menos estará pronta para a vida. Se isso acontecer, minha missão estará mais do que cumprida. </p> <p><strong>Comércio - A Seleção Brasileira de Vôlei masculino ganha tudo que disputa. Por que o time feminino, quando chega nas decisões, não corresponde?<br />Silveira -</strong> Quando o Bernardinho assumiu o time masculino, a equipe já estava montada e com excelente jogadores. Enquanto isso, a seleção feminina vivia um momento difícil, de transição. E a bomba caiu no colo do José Roberto Guimarães. Além de ser amigo dele, admiro e acredito no potencial do Zé, que é um supercampeão e não precisa provar nada para ninguém no vôlei. Não tenho dúvidas que em breve o time conquistará mais títulos pelo mundo. </p> <p><strong>Comércio - Como é para um homem comandar um time feminino? <br />Silveira -</strong> Eu e as meninas temos uma relação de muito respeito. Estamos unidos pelo bem do voleibol na cidade, eu como treinador e elas como jogadoras do grupo. Somos profissionais, mas também existe aquela relação entre pai e filha. Por exemplo, durante os treinamentos, não permito palavrões. Durante os jogos, as provocações são inevitáveis e algum xingamento sempre escapa, mas temos que conviver em um ambiente saudável, pois as vitórias em quadra também se constroem fora dela.</p>

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