Camelôs defendem seu ganha-pão e reclamam


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Ordem é para evitar abusos e retirar vendedores ambulantes clandestinos da região central da cidade. Na foto abaxo, Leandro Bedo fecha sua “loja”
Ordem é para evitar abusos e retirar vendedores ambulantes clandestinos da região central da cidade. Na foto abaxo, Leandro Bedo fecha sua “loja”
A camelô Helena do Carmo Glaudino Lourenço, 65, chorou ontem, quando foi notificada por fiscais da Prefeitura de Franca e precisou guardar as mercadorias expostas em sua barraca na Praça Dom Pedro I, no centro da cidade. As irregularidades da comerciante seriam a falta de presença do titular na barraca e o fato de não montar a barraca durante seis meses em 2006. Com lágrimas nos olhos, Helena explicou o porquê das irregularidades e disse estar disposta a resolver a situação. “Meu filho ficou doente, com problemas no estômago, e não tem condições de vir trabalhar. O titular é ele. Em seis meses não montamos a barraca porque precisei ficar com ele em casa. Ele precisava de cuidados e não podia ficar sozinho”. Helena vende brinquedos e outros objetos eletrônicos e diz que a ocupação ajuda no tratamento da depressão. “Trabalho nessa praça há 17 anos e, todo fim de ano, pago os meus impostos e as taxas. Recentemente fiquei viúva e passei a sofrer de depressão, por isso, preciso mais do que nunca ficar aqui. Além disso, o que ganhamos na barraca é a nossa única fonte de renda”. Helena mora com o filho na Vila Imperador e ganha, em média, R$ 400 mensais. “Brutos, tiro uns R$ 1 mil, mas depois tenho que pagar as mercadorias”. Vendedor de bijuterias, Leandro Bedo Porfílio, 31, foi outro camelô notificado a acertar as pendências com a administração. Sem alvará, ele trabalhava dentro de uma antiga banca de jornais e revistas. Por ordem dos fiscais, a “lojinha” precisou ser fechada. Apesar de acatar a determinação, o camelô se exaltou e disse ter dificuldade de regularizar a situação. “Estou revoltado. Preciso me manter. Tento regularizar o alvará, mas a Prefeitura nunca resolve o problema. Há tanta coisa mais grave para ser resolvida e eles vêm atrapalhar quem está trabalhando”, esbravejou. Porfílio loca a banca por R$ 700 mensais. Chefe da Divisão de Fiscalização de Obras e Posturas, Ismael Antônio Xavier Filho, que acompanhou toda a operação, negou que existam dificuldades para regularização de pendências, como falta de alvará, na Prefeitura de Franca. “Talvez a pessoa não se enquadre dentro das normas estabelecidas. Não queremos tirar o trabalho de ninguém, queremos apenas que eles trabalhem regularmente”. PEDIDO ANTIGO Empresário no ramo de cosméticos em Franca, com quatro lojas, e ex-presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), Jayme Barbosa aprovou a ação iniciada pelo prefeito Sidnei Rocha. Ele também disse que a medida era um pedido antigo dos comerciantes e foi debatida por diversas vezes com o prefeito. “Eu cobrava esse tipo de fiscalização e acho que ela deve ser rigorosa. Todo vendedor informal tem que sair”. Barbosa lembrou que os lojistas têm apoiado a iniciativa da administração. “Temos custo de locação, pagamos impostos, geramos empregos e receita, enquanto isso, existem os ambulantes que trabalham de forma irregular e acabam tirando nossos clientes. Isso não é certo”. Para o atual presidente da Acif, João Cheade, a ação também é bem-vinda. “Somos a favor da legalidade, preciso defender meus associados e eles estavam sendo prejudicados com essa desordem do Centro”.

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