O comando da Polícia Militar de Franca abriu procedimento interno para investigar a conduta de três policiais de Itirapuã. Durante abordagem a um veículo suspeito, eles abriram fogo na direção do carro. Uma mulher estava ao volante e por pouco não foi atingida na cabeça pelos disparos. Não havia nada de irregular com ela. Os PMs podem ser punidos caso fique comprovado que agiram de maneira irregular.
Os fatos se deram quarta-feira à noite na Rodovia dos Agricultores, que dá acesso a São Tomás de Aquino (MG). Por volta das 20 horas, os policiais receberam denúncia anônima de que acontecia algo de anormal próximo da Coonai. Um sargento e dois soldados de Itirapuã seguiram para o local e avistaram uma pick-up parada em local escuro.
Aproximaram-se e gritaram para os ocupantes descerem e identificarem-se. Segundo versão apresentada mais tarde pelos policiais ao delegado Manir Martos Salomão, o motorista teria dado partida e tentado atingi-los com o carro. Foi quando atiraram. O suspeito teria fugido por estradas vicinais e desaparecido.
Meia hora depois, o veículo foi localizado em um posto de combustível no Centro de Itirapuã. Uma lavradora de 52 anos, moradora na zona rural de São Tomás, estava ao volante e foi conduzida à delegacia. Foi autuada por resistência e desobediência, sendo liberada em seguida. Uma fonte, que pediu para não ser identificada, afirmou que a mulher teria constituído advogados para se defender e estuda a possibilidade de processar o Estado. O veículo dela estava regular e nada de anormal foi encontrado em seu interior.
A mesma fonte disse que o carro teria sido atingido por dois disparos. Um deles teria ultrapassado a capota da pick-up, o vidro traseiro e estourado o retrovisor e o pára-brisas. O tiro teria passado a dez centímetros da cabeça da motorista. A PM se recusa a falar sobre o caso.
O carro passou por perícia ontem à tarde na sede da Polícia Militar. A reportagem apurou que os três policiais foram chamados ao Batalhão para explicarem a violenta abordagem e tiveram suas armas apreendidas. Um IPM (Inquérito Policial Militar) foi aberto para apurar a conduta dos envolvidos. As suspeitas são de que agiram com imperícia e cometeram falhas de procedimento padrão. Podem ser presos administrativamente e transferidos. A chance de uma expulsão é remota, a não ser que sejam denunciados por tentativa de homicídio.
O tenente-coronel Ércio Arantes, comandante do 15º Batalhão, foi procurado durante todo o dia para comentar a ocorrência e não atendeu às ligações. A assessoria de imprensa informou que o Comércio deveria enviar um e-mail com as questões a serem formuladas. Dois e-mails foram enviados para o endereço fornecido no início da tarde, mas, até o fechamento desta edição, nenhuma resposta havia sido dada.
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