Empreendedorismo em Pato Branco


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Em meados de 1996, escrevi sobre o modelo de desenvolvimento de Pato Branco (PR), na gestão Alceni Guerra - o ex-Ministro da Saúde do governo Collor, alvo de uma campanha implacável da mídia e, posteriormente, inocentado de todas as acusações. Ontem, no Seminário “Softwares Inovadores”, do Projeto Brasil, Alceni contou sua epopéia e passou um belo roteiro a ser seguido por outros prefeitos empreendedores. O primeiro passo foi dado ainda em 1987, quando foi reeleito deputado federal pelo Paraná e, depois de muita malícia, conseguiu do então presidente José Sarney que instalasse em Pato Branco o Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica) previsto para o Paraná - e que estava sendo disputado por Londrina e Curitiba. A partir do Cefet, o objetivo foi transformar Pato Branco um pólo de conhecimento. O processo se acelerou em meados dos anos 90, quando Alceni foi eleito prefeito da cidade e iniciou um forte processo de atração de professores, especialistas, mestres e doutores para fomentar a educação técnica, tecnológica e superior. Tudo bancado pelo governo federal, através do Cefet. Em seguida foi lançado o projeto “Pato Branco, Sécjulo XXI”, com alguns objetivos muito nítidos, entre os quais o de, até 2020, colocar a cidade em primeiro lugar no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País. Foram propostos quatro programas paralelos: desenvolvimento econômico; desenvolvimento tecnológico; desenvolvimento urbano e qualidade total nos serviços públicos. E também dez missões seqüenciais. A da área da saúde, por exemplo, consistia em elevar a vida média da cidade para 85 anos - o que implicava em reduzir a mortalidade infantil e aprimorar o atendimento de emergência. Outra foi implantar o ensino em tempo integral, projeto que alcançou 100% das crianças e reduziu em 70% a depredação de patrimônio público. O esforço seguinte foi a criação de incubadoras de empresas. Criou duas em tecnologia da informação e uma para hardware. Do governador Jaime Lerner, Pato Branco ganhou uma Oscip, o Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento. Em 2003, a Oscip ganhou o prêmio de melhor instituto de pesquisa do País, concorrendo com Unicamp, USP e Embrapa Centro-Oeste. O último passo foi a criação de um Centro Biotecnológico Agro-Industrial. Este ano, a cidade já contabiliza 32 empresas de software e possui um dos melhores Parques Tecnológicos do País. Para que o modelo de Parques Tecnológicos seja bem sucedido, Alceni faz algumas recomendações: 1. Não se pode ter professores universitários estáveis e sem estímulos adicionais à livre competição de mercado, porque eles se acomodam. Tem que se encontrar a melhor maneira de premiar por produtividade. 2. A cidade sede de um Parque Tecnológico tem que ser assessorada por institutos de planejamento urbano, para melhorar a qualidade de vida, a auto-estima e fazer os parques serem disputados. 3. Há a necessidade de uma política de compras governamentais para garantir o sucesso dos parques. O governo do Paraná, por exemplo, compra US$ 500 milhões de softwares por ano. Nenhum centavo do Parque Tecnológico de Pato Branco. Dados de Fernando Graton, Diretor de Relacionamento da TCS (a Tata indiana), recém instalada no Brasil, indicam que os EUA contratam 80% de todas as importações de serviços do mundo. O Brasil fornece menos de 1% do que o mercado norte-americano exige. O Brasil exporta apenas 4% do que produz internamente. Do mercado de US$ 3,2 bilhões do Brasil, US$ 2 bilhões são gastos com importações de software. Um dos grandes problemas da indústria de TI (tecnologia da informação) brasileira é que existem muitos médicos e poucas enfermeiras. Ou seja, muito analista de sistema e pouco programador. Com isso os próprios analistas (os que planejam o sistema) escrevem os programas. Há um desperdício de mão-de-obra, e o analista, por ser ele próprio o planejador, não documenta o trabalho feito. Hoje em dia, um programador brasileiro ganha o mesmo que um da Índia. Quando entram os encargos, são de 10% na Índia; de mais de 100% no Brasil - e aí a competitividade vai para o buraco. Francelino Grando, um dos autores da Lei de Inovação, e agora no MDIC (Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior) mencionou como prioridade a desoneração da folha para empresas de TI. RELATÓRIO DO BC Mesmo projetando que a inflação vá continuar abaixo da meta do governo neste ano e no próximo, o Banco Central voltou a dar sinais de que poderá interromper a seqüência de cortes na taxa de juros. Em documento divulgado ontem, a autoridade monetária mais uma vez expressa preocupação com o ritmo de crescimento da economia, que, em sua visão, poderia colocar em risco a estabilidade dos preços. Essa análise consta no Relatório de Inflação, texto divulgado trimestralmente com projeções do BC para a economia brasileira. Um dos principais pontos do documento é a estimativa para a inflação, já que o comportamento do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é o principal parâmetro para as decisões do BC em relação à taxa de juros. RELATÓRIO DA CNI A CNI (Confederação Nacional da Indústria) decidiu revisar para cima as projeções de crescimento do PIB de 4,5% para 4,7% neste ano. A CNI atribui a elevação do crescimento à demanda externa por produtos de grande peso na pauta de exportações brasileiras (principalmente commodities) e o contínuo aumento da demanda interna. Para a CNI, a indústria, em especial a de transformação, “assumiu o papel de protagonista do crescimento econômico brasileiro e será o carro-chefe do desempenho da economia neste segundo semestre”.

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