Seringais para extração de látex crescem na região


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Árvores de troncos finos e compridos, nativas da quente Amazônia, estão ganhando espaço e modificando a paisagem da região de Franca. Mais conhecidas como seringueiras, de onde se extrai o látex para a produção da borracha, elas têm ocupado áreas onde o café reinava absoluto e servido como fonte de renda alternativa para os agricultores. Em 2001, segundo o IEA (Instituto de Economia Agrícola) do Estado de São Paulo, eram 18.277 pés em produção; passados cinco anos, o cultivo avançou para mais de 56 mil unidades e tudo indica que novos números surgirão nos próximos anos. Somente em 2006, foram plantados na regional de Franca, que inclui 13 cidades, 16 mil novos pés. O médico e produtor rural Samuel de Almeida Filho é um dos que apostam nessa nova cultura para a região. Em sua propriedade às margens da Rodovia Fábio Talarico, sentido São José da Bela Vista, 4 mil árvores estão em processo de sangria (retirada do látex) e outras 3 mil mudas têm sido plantadas anualmente em vista da demanda pela borracha. De acordo com a Secretaria Estadual de Agricultura, em 2006, o Brasil produziu 108 mil toneladas de látex seco, quantidade insuficiente para atender à demanda da indústria brasileira. O déficit de borracha natural chegou a 179 mil toneladas. Para Almeida, entre as vantagens em se cultivar seringueiras estão a resistência das árvores, o tempo de produção e a rentabilidade proporcionada. “São árvores próprias para climas quentes, cada uma produz em média dez quilos de borracha seca por ano e podem ficar em atividade por até 40 anos. E o melhor, dão lucro”. O quilo do látex seco tem sido vendido a R$ 1,70. No sítio do produtor, mensalmente são coletados 2 mil quilos do produto. O manejo é considerado fácil. A venda é feita para uma usina de Colina, na região de Barretos, que busca o material sem cobrar frete. “Quando comecei, muita gente falou que eu era um produtor ‘romântico’, que a produção não daria certo. Hoje, tenho como provar o contrário e trabalho na tentativa de expandir a cultura na região”. O produtor planeja vender mudas com o auxílio de mais dois amigos produtores de seringueira. Na região, há cultivo de seringueiras em propriedades de Pedregulho, Ribeirão Corrente e Aramina. Para o secretário estadual da Agricultura, João de Almeida Sampaio Filho, a região de Franca oferece todas as características necessárias para o desenvolvimento das seringueiras. “O clima é propício e a produção não atrapalha o cultivo do café. Vejo que a região tem potencial, além disso as árvores também podem ser usadas na recuperação de áreas de reservas”.

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