Hippie de roupa e alma


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Mesmo sendo alvo de olhares desconfiados, a artesã Mariela Vilela, 22, não se intimida e assume, há nove anos, o visual hippie para ela não é só um look, mas um estilo de vida. Por acreditar que a roupa traduz a maneira como uma pessoa pensa e se comporta, Mariela se preocupa com o visual. “Não usamos um monte de pedaços de pano. A gente pensa, e muito, antes de escolher uma roupa, ela precisa cair bem e ter a nossa cara”. Mariela não abre mão de roupas confortáveis, coloridas e acessórios da cabeça aos pés. As peças que não faltam no seu guarda-roupas são saias e calças longas batas (blusas largas) e nos pés, as rasteirinhas. “Usamos muito as rasteiras, mas dependendo do ambiente a gente fica descalço mesmo”. Os acessórios como anéis, pulseiras, brincos e faixas para o cabelo, feitos geralmente de fios e fibras naturais, sementes e penas, são uma marca registrada da tribo. Os lenços também são usados com freqüência, seja na cabeça ou como cinto. “Pregamos a paz, o amor e uma vida tranqüila, por isso, nossas roupas são assim. Elas “contam” como gostamos de levar a vida”. A técnica tie die (tingir tecidos) também decora as vestimentas hippies e se transforma até em profissão. “A gente adora customizar (dar um “trato” para que a roupa fique mais moderna ou então para reaproveitá-la) e, pela facilidade em lidar com o artesanato, vendemos os objetos que produzimos”. Nos dias de frio, as blusas de lã são as mais usadas. “Nada de moletom ou couro”. Sapatos de salto também não são bem-vindos. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, a maquiagem também faz parte da vaidade hippie. “Uso algo mais leve, mas não fico sem”. Lápis, brilho labial e sombras claras são os itens preferidos pelas mulheres que compõem esta tribo. Os meninos também têm um estilo próprio. Eles geralmente usam calças, batas, sandálias de dedo e não dispensam acessórios como colares, pulseiras de macamê (nome do trançado que é feito a partir de fibras naturais) e tornozeleiras. O cabelo assume cada dia um visual diferente. “Os penteados afro, como o dread, são muito usados. As boinas então nem se fala”, disse o diretor do curso de Moda da Unifran (Universidade de Franca), Julius Pimenta. A CULTURA Os hippies surgiram nos anos 60 como um movimento contracultural nos EUA. Naquela época, viviam em comunidades alternativas e em pouco tempo viram seus ideais ganharem o mundo. Hoje a realidade mudou e eles já não vivem mais em comunidades. Os hippies atuais são jovens que pregam a vida zen, a paz, o amor e a não violência. Além disso, defendem a liberdade individual acima de tudo. Por conta disso, não são adeptos dos casamentos e trabalhos formais. Eles também defendem um maior contato com a natureza. São místicos e adoram estar ao ar livre. “Um céu bonito com fogueira e um luau é tudo de bom”. Também adoram bater um papo “cabeça” com os amigos e curtir um reggae. “Filosofar e reggear é com a gente mesmo”, brinca Mariela.

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