Uma indústria de corrupção. Na opinião do vereador Maurício Chináglia (PSB), é isso que acontece no setor de emplacamento de veículos de Franca. O parlamentar acusa a Cordeiro Placas, empresa responsável, de fazer cobrança indevida e de sonegar impostos. Donos de carros com placas legíveis seriam obrigados a trocá-las. O caso será denunciado ao Ministério Público.
Na tarde de ontem, Chináglia foi até a empresa, situada na Avenida Rio Branco, para trocar a tarjeta de seu carro. Uma funcionária informou que ele deveria comprar um novo jogo de placas. “Acontece que eu havia passado antes pela vistoria da Ciretran e minha placa havia sido aprovada. Reclamei e me apresentei como vereador. Nesta hora, tentaram me calar, oferecendo as placas novas de presente. Não aceitei e chamei a polícia”. A troca da tarjeta custa R$ 54,79. Já a placa custa R$ 72. “Como produz e vende placas, a empresa força as pessoas a comprá-las”.
Donos de veículos que estavam na empresa disseram ao Comércio que haviam passado pela mesma situação. O caso mais grave foi o do pespontador Jair Faleiros Costa, 28. Foi cobrado em duplicidade pela empresa. Ele adquiriu uma placa e recebeu um recibo comum, do tipo vendido em papelarias, além de ter recebido a placa sem lacre. Retornou à Ciretran para obter a liberação de seu veículo e foi informado que a taxa de R$ 54,79 não havia sido paga. Foi ao banco, quitou a pendência e descobriu que não precisaria ter adquirido a placa inteira. “Fui enganado pela empresa. Me passaram para trás”.
Diante do tumulto que se formou, o responsável pela firma chamou o pespontador numa sala fechada e devolveu os R$ 72. “Este fato comprova que a empresa agiu de má-fé. É uma verdadeira indústria de corrupção. Além de obrigar as pessoas a comprar placas sem necessidade, não estavam emitindo nota fiscal. Para onde estava indo o imposto?”.
A “Cordeiro Placas” obtém concessão do Estado para explorar o serviço em Franca. O gerente da empresa, Davi Zampier Colomer, recusou-se a falar com a imprensa.
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