3ª idade ativa


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Participantes do bingo aguardam apresentadora começar a cantar os números do jogo
Participantes do bingo aguardam apresentadora começar a cantar os números do jogo
Neste 27 de setembro, comemora-se o Dia Nacional do Idoso. Franca festeja a data numa fase de mudanças. Os programas voltados para pessoas mais velhas ainda são insuficientes e precisam ser expandidos, mas demonstram uma evolução significativa nos 20 últimos anos. Diferente de décadas atrás, hoje, os idosos são contemplados com atividades em áreas diversas: saúde, social, educativa, cultural, esportiva e informativa. As atividades são variadas e vão do atendimento médico a cursos de artesanato, natação e atividades para incentivar a memória. Na cidade, 30.721 pessoas têm mais de 60 anos. A maioria, 56%, é mulher. Os dados, de 2006, são do Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). Segundo a Aif (Associação dos Idosos de Franca), criada em 1989, dos 30 mil integrantes da “melhor idade”, 5 mil estão inseridos em projetos para a faixa etária. “É claro que precisamos de mais adesões, mas isso exige um trabalho de conscientização no qual já trabalhamos. A procura pelos serviços está aumentando”, disse Edite Santos, assistente social da entidade. Há cerca de 20, 30 anos, basicamente o Sesi (Serviço Social da Indústria) e o CCI (Centro de Convivência do Idoso) ofereciam atendimento aos idosos. Com o passar dos anos, novos segmentos têm voltado seus olhares a essa parcela da população. Os projetos são desenvolvidos por escolas, paróquias, instituições espíritas, UBSs (Unidades Básicas de Saúde), asilos, ONGs, clubes, Unesp-Unati (Universidade da Terceira Idade), Unifran (Universidade de Franca), Iamspe (Instituto de Assistência Médica do Servidor Público Estadual), Comuti (Conselho Municipal da Terceira Idade) e outros. O rol de atividades é variado. Há 29 anos, quando foi criado, o Terceira Idade Recanto do Amor do Sesi promovia apenas passeios, bailes e viagens para os idosos; hoje, trabalha de forma multidisciplinar. Há cursos de artesanato, cinema, exposições, saraus, poesias, teatro, jogos, gincanas, hidroginástica, vôlei, natação, oficina para incentivar a memória, campanhas de doação de alimentos e agasalhos e palestras com médicos, fonoaudiólogos, advogados e outros profissionais. Há oito anos, o Sesi criou um novo grupo de idosos, o Anos Dourados. “O trabalho evoluiu bastante e está mais completo. As atividades abrangem diversas áreas. Outro aspecto evolutivo importante é a interação que existe entre os grupos de idosos. Os participantes convivem uns nos grupos dos outros e estão sempre em sintonia nos eventos”, disse Marta Tasso, coordenadora do Centro de Atividades Sociais do Sesi, responsável pelos grupos da Terceira Idade. Ela trabalha na área há 19 anos. O CCI (Centro de Convivência do Idoso), em funcionamento desde 1991, foi outro a ampliar as opções de atendimento. Inicialmente, funcionava apenas como ambulatório de geriatria, mas em 1998 ganhou enfoque interdisciplinar. A equipe passou a ser composta por geriatra, médicos, cardiologista, reumatologista, ginecologista, enfermeiros, psicólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta. “Percebemos que os idosos precisam de atenção integral e é isso que oferecemos”, disse Maria Clara Silveira, terapeuta ocupacional do CCI. ENVELHECIMENTO Os números registrados pelas entidades são reflexo de uma realidade na região: o envelhecimento populacional. Dados do Seade apontam que a quantidade de idosos de Franca e 21 cidades vizinhas saltou de 50 mil em 1996 para 72 mil em 2006, 43% de aumento. “Todos estão olhando para a mesma fatia de bolo. Não dá mais para fechar os olhos, os idosos estão aí, em Franca, no País, no mundo. A população está envelhecendo e precisa de atenção para ter mais qualidade de vida neste processo”, disse Maria Clara. Quem comemora a atenção prestada para quem tem mais de 60 anos é o casal Leusinha, 76, e Antônio Penha, 83. Casados há 57 anos e pais de quatro filhos, eles aproveitam para curtir a vida. Gostam de dançar, viajar, jogar bingo, praticar vôlei e caminhar todos os dias pela Praça do Centro. “Antes nos sentíamos excluídos, agora temos mais liberdade”, disse ela. Para o geriatra Paulo Silva Santos, os trabalhos desenvolvidos são importantes, mas a cidade ainda carece de opções de lazer, artesanato e que valorizem o intelecto e auto-estima das pessoas mais velhas. “Há projetos, mas ainda são poucos. É preciso mais articulação nos bairros”.

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