Cigarras invadem Itirapuã e enlouquecem os moradores


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Milhares de cigarras podem ser vistas por toda a cidade de Itirapuã, sendo que a maior concentração se encontra na Praça Central
Milhares de cigarras podem ser vistas por toda a cidade de Itirapuã, sendo que a maior concentração se encontra na Praça Central
Nessa época do ano, os moradores de Itirapuã nem precisam de despertador. Logo nas primeiras horas do dia começa uma cantoria que pode ser ouvida na cidade inteira. É uma verdadeira “orquestra”. O musical é formado por um sem-número de cigarras que produzem um som ensurdecedor das 6 da manhã até por volta das 22 horas. A cantoria é feita pelos machos, que usam o som como arma para conquistar as fêmeas. É a época do acasalamento. Como nem um macho quer ficar sem uma “namorada”, todos cantam ao mesmo tempo. É de enlouquecer qualquer um. As cigarras invadiram a cidade. Podem ser encontradas em árvores, coqueiros, postes de energia elétrica e até pelo chão. A maior concentração está na Praça Central. E quem se atrever a ficar embaixo das árvores, toma um banho. Há quem diga que é o “xixi” das cigarras, mas não é bem isso. Segundo a bióloga Sheila Sousa, as gotinhas que pingam das árvores são a seiva das plantas, principal alimento dos insetos. Esse líquido, segundo a profissional, não é prejudicial à saúde. Alguns moradores dizem que se acostumaram com a cantoria, mas a grande maioria não suporta a barulheira. Os mais radicais afirmam até que, se pudessem, exterminariam todos os insetos. “Eu não agüento esse barulho. Dá vontade de matar tudo”, disse a dona-de-casa Rosemar dos Santos, 36. O lavrador João Batista, 43, fica nervoso só de falar nas cigarras. “Elas perturbam demais. A gente não consegue ver televisão direito nem dormir até mais tarde. A janela do meu quarto dá para a rua e o barulho é de enlouquecer”. Até no quintal da casa do pintor Luís Antônio Campos, 39, é possível encontrar os bichinhos cantarolando o dia inteiro. “À noite, é a pior hora”. Não tem jeito. Só se acostumando mesmo. O período de acasalamento pode durar entre setembro e novembro. Os machos têm que se esforçar muito para conquistar as fêmeas, até porque elas morrem logo depois de botar os ovos. “Já alguns machos chegam a cantar tanto que estouram”, disse a bióloga Maria Aparecida Medeiros. Haja fôlego. Apesar de não ultrapassar os 6,5 centímetros, as cigarras podem viver até 17 anos dependendo da espécie. Os insetos jovens vivem a maior parte da vida embaixo da terra. Ao sair, eles sofrem uma metamorfose e se tornam adultos e prontos para o acasalamento, ocasionando a famosa (e insuportável) “cantoria”.

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