O discurso do presidente Lula na ONU contém sutilezas comuns à arena diplomática e de negociações econômicas mundiais.
O Protocolo de Kyoto tem dois princípios básicos de atuação:
1. Diferenciação entre países pobres e ricos.
2. Mecanismos financeiros de estímulo à redução das emissões de carbono.
Nesse modelo, os países desenvolvidos se enquadram em metas de redução da emissão de carbono; os países emergentes não.
Com isso, cada projeto em país emergente que resulte em redução na emissão de carbono é passível de gerar créditos. As indústrias que vierem a se instalar nos países desenvolvidos e que, de alguma maneira, despejem carbono na atmosfera, terão que comprar dos emergentes créditos correspondentes.
A partir daí, desenvolvem-se lutas diversas entre países e setores. Países desenvolvidos, por exemplo, querem que os emergentes se submetam a metas de emissão. Ocorrendo isso, os emergentes poderão perder os chamados créditos de carbono.
O segundo ponto de confronto é em relação ao etanol. Hoje em dia é o combustível alternativo mais viável. Mas depende da criação de uma infra-estrutura para se tornar irreversível. Para postergar a expansão do etanol, adversários têm brandido argumentos como o conflito alimento x energia.
Entendido esse roteiro, vamos aos principais trechos do discurso do Lula.
Aqui ele enfatiza a importância do tratamento diferenciado entre emergentes e desenvolvidos:
“A eqüidade social é a melhor arma contra a degradação do planeta. Cada um de nós deve assumir sua parte nessa tarefa. Mas não é admissível que o ônus maior da imprevidência dos privilegiados recaia sobre os despossuídos da Terra”.
Aqui, ele acena com a possibilidade dos emergentes aderirem às metas, mas sem abandonar os incentivos financeiros:
“Necessitamos de metas mais ambiciosas a partir de 2012. E devemos agir com vigor para que se universalize a adesão ao protocolo. (...) O Brasil propôs em Nairóbi a adoção de incentivos econômico-financeiros que estimulem a redução do desmatamento em escala global”.
Aqui, fala sobre o ponto fraco da sustentabilidade ambiental brasileira, as queimadas e o desmatamento na Amazônia. Evita mencionar que uma das causas da redução do desmatamento foi a crise da soja no Brasil.
“O Brasil tem feito esforços notáveis para diminuir os efeitos da mudança do clima. Basta dizer que, nos últimos anos, reduzimos a menos da metade o desmatamento da Amazônia”.
Finalmente, a defesa dos biocombustíveis:
“Os biocombustíveis são vitais para construí-la (a nova matriz energética). (...) No Brasil, com a utilização crescente e cada vez mais eficaz do etanol, evitou-se, nesses 30 últimos anos, a emissão de 644 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. (...) O etanol e o biodiesel podem abrir excelentes oportunidades para mais de uma centena de países pobres e em desenvolvimento na América Latina, na Ásia e, sobretudo, na África”.
RENDA NO BRASIL 1
Segundo o professor Paulo Baltar, do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho), do Instituto de Economia da Unicamp, não se deve ser muito otimista com os dados sobre redução das disparidades de renda no País. A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) inclui a renda captada nas pesquisas domiciliares, que são basicamente renda de trabalho. Em geral, a parcela dos juros é subdeclarada.
RENDA NO BRASIL 2
Da mesma maneira, não entram nessas contas as rendas do grande capital, escondido atrás de fundos “offshore”. Quando se analisa a renda do trabalho, percebe-se que ano a ano ela tem perdido espaço nas contas nacionais. A redução das disparidades, então, se deve ao achatamento da classe média. Nos últimos anos foram gerados mais empregos na faixa de um a três salários mínimos do que na faixa acima disso.
RENDA NO BRASIL 3
Até algum tempo atrás, a criação de empregos na faixa acima de três mínimos não repunha sequer os que haviam saído da força de trabalho -por morte, aposentadoria ou desemprego. Só recentemente houve algum crescimento nessa área. Assim, caíram as disparidades, mas em cima de uma enorme redução do valor médio dos salários - que só se recuperaram nos últimos dois anos, mas continuam abaixo da média de 1999.
CRISE IMOBILIÁRIA 1
O índice de preços de casas Case-Shiller, dos EUA, apontou para uma queda de 4,5% no valor das casas, em dez regiões metropolitanas do país; e de 3,9% em vinte cidades pesquisadas. É a maior queda desde julho de 1991. Em cinco cidades ainda ocorreu uma valorização -Atlanta, Charlotte, Dallas, Portland e Seattle - com a um ritmo menor do que nos meses anteriores.
CRISE IMOBILIÁRIA 2
A base de comparação dos preços é janeiro de 200 (igual a 100). O indicador é calculado em conjunto com a agência de risco Standard & Poor´s. Mesmo com a queda, o índice composto das dez regiões metropolitanas está em 215,94 - 115,94% de valorização em relação a janeiro de 200. O índice das 20 cidades está em 198,44 pontos. O que revela que os maiores prejuízos ficaram com os que entraram por último.
CRISE IMOBILIÁRIA 3
Mesmo assim, o grosso da crise hipotecária ocorrerá no próximo ano. Os bancos emprestaram; depois venderam o crédito para fundos; que revenderam para outros fundos. Parte expressiva desses créditos vence no próximo ano. Assim, os fundos guardarão em carteira, adiando a explicitação do prejuízo. Só no vencimento se verá a extensão do prejuízo. Daí a avaliação de que a crise ainda está começando.
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