Na luta contra o crime


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“QAP” (está na escuta), “QSL” (entendido). Estes são apenas alguns dos códigos que fazem parte dos diálogos diários entre policiais militares. São ouvidos e falados várias vezes por eles durante o trabalho no dia a dia. Mas ser policial está muito além de decorar códigos. Para se tornar um profissional de verdade, é preciso em concurso público, passar por várias etapas de treinamento, preencher alguns requisitos e ainda ter dedicação e muita disposição. E, claro, um gostinho pelo perigo e pela aventura. Se conseguir reunir tudo isso, um policial militar pode ganhar de R$ 1,5 mil a R$ 2,2 mil (salário-base + abono) por mês. “O salário é padrão para toda região, o valor só altera com os adicionais do abono, que aumentam de acordo com a quantidade de habitantes na cidade em que o profissional atua. Em Franca, o salário de um PM gira em torno de R$ 1,8 mil, com o abono de R$ 350”, disse o soldado Alberto, da 5ª CIA. Em Ribeirão Preto, o abono é de R$ 580. Mas o salário nem sempre é o principal atrativo para quem escolhe ser policial militar. “A maior satisfação é (você) ser útil para alguém, quando uma pessoa pede sua ajuda e você consegue solucionar o problema. Uma vez, eu resgatei uma criança de cinco anos que estava sozinha em casa. Foi muito emocionante pegá-la no colo e levá-la comigo”, disse Alberto. Ser policial também exige sangue frio na hora de lidar com os riscos. O soldado Durval Cristiano Neto lembra um caso em que precisou agir em uma tentativa de assalto, mesmo estando de folga. “O policial trabalha 24 horas por dia e, naquele dia, eu estava armado e por instinto tive que atuar. Eu imobilizei o bandido e chamei uma viatura para prendê-lo”, disse. Um policial pode exercer a profissão dentro da delegacia ou atender a ocorrências nas ruas. “Existem os PMs que trabalham em bases móveis, os que fazem a ronda escolar, ronda rural e os RPPs, que atendem a ocorrências em residências”, explica Alberto. A ocorrência mais comum, de acordo com os soldados Pasqual, 29, e Jean, 29, é a de desinteligência (brigas e discussões entre casais ou vizinhos). “Não há um dia em que não atendemos estes casos. A segunda ocorrência mais freqüente é a de averiguação de suspeito de crime (quando há uma pessoa que, aparentemente, pode estar cometendo crimes)”, disse o soldado Pasqual, que exerce a função há quase dez anos. Um policial tem jornada diferente da maioria das profissões: trabalha 12 horas seguidas. “Eu entro para o trabalho às 6 horas e paro às 18 horas, folgo 24 horas e volto a trabalhar às 18 horas do outro dia. Sempre trabalhamos de madrugada, pelo menos uma vez por semana”, revela Jean. Em cidade menores como Jeriquara, Rifaina e Cristais Paulista, o horário de trabalho muda. Nelas, o policial trabalha 24 horas seguidas e folga 48 horas. Além de trabalhar muitas horas seguidas, o policial ainda tem de carregar mais de 6,5 quilos só de equipamentos e uniforme, que são obrigatórios. “Só a arma pesa 1,5 quilo. É um pouco desconfortável, principalmente durante o dia e quando está calor, mas temos que cumprir as regras”, disse o soldado Durval. Nem o boné eles podem tirar. “Esse é um privilégio de quem trabalha na parte interna da companhia”. A cor do boné e os símbolos nele contido variam de acordo com a função que o policial exerce. São, no mínimo, três cores para os respectivos cargos: borda verde limão para soldado, borda vermelha para os sargentos e a dourada para oficial. “Na região, a força tática ainda usa uma espécie de boina na cor cinza”. O policial ainda conta com o plano de carreira militar. “Se a pessoa quer subir de cargo, ela tem que ser bastante esforçada e ter bastante experiência”, disse o soldado Almeida. A diferença entre um policial militar e um civil é que o militar previne o crime e o civil o investiga depois que ele é cometido por alguém.

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