Beija-flor uma adoção diferente


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Filhotes de beija-flor são abandonados pela mãe e adotados por dentistas no centro de Franca.
Filhotes de beija-flor são abandonados pela mãe e adotados por dentistas no centro de Franca.
Dois filhotes de beija-flor viraram atração em consultório odontológico no Centro de Franca. Abandonados pela mãe há cerca de 15 dias, foram adotados pela secretária e pelos dentistas que trabalham no local. Desde então, eles são alimentados por um conta-gotas e foram até batizados de João e Maria. A história começou numa segunda-feira, 10 de setembro. Era a terceira vez que um beija-flor fazia seu ninho em cima de uma calha nos fundos do consultório na Rua Tiradentes. Só que desta vez, a secretária e os dentistas notaram algo diferente: dois filhotes de beija-flor piaram o dia todo, por sentirem falta da mãe. Eles subiram até a calha e resgataram os filhotinhos do ninho com as próprias mãos. “Nem acreditamos quando vimos. Estavam bem fracos e quando mexemos, pararam de piar. Nessa hora, achamos que tinham morrido, mas quando colocamos um conta-gotas com água e açúcar, eles começaram a beber”, lembra a secretária Silvana Aparecida Taveira. Depois disso, a rotina deles se transformou. Procuraram informações na internet e pegaram orientações com uma veterinária sobre a vida da ave. “Ninguém sabia como tratar de um beija-flor. Nunca tínhamos visto esses animais tão próximos e frágeis antes. Hoje, quando chego no consultório já tenho um compromisso: cuidar deles. Até nome colocamos, o mais esperto, que já voa dentro do consultório, se chama João e o outro, que achamos que é fêmea, de Maria. E o mais engraçado é que eles são dóceis e não fogem. É muito gostoso”, disse. De hora em hora, eles preparam a comida. “Eles comem uns bichinhos que ficam nas bananas, minhocas cortadas em pedaços pequenos, ração para pássaros diluída com água e a Maria é a que mais come”, disse o dentista Luis Fernando Messias, enquanto segurava nas mãos os dois filhotinhos. Um beija-flor consome um total diário de alimento oito vezes mais que o seu próprio peso. E a festa também é das crianças que freqüentam o consultório. “Só meu filho que não gostou muito porque ficou enciumado, sentindo que eles eram concorrentes. Quando viu, disse que jogaria os ‘canarinhos’ fora”, disse Silvana. Um beija-flor demora cerca de três semanas para deixar o ninho. “A permanência deles pode prolongar-se a 35 dias, quando a alimentação é fraca”, disse a médica veterinária Maristela Furlan Rocha. No Brasil, existem cerca de 80 espécies. Eles pertencem à família dos trochili-dae (troquilídeos) e sua maior concentração ocorre perto do Equador, na região dos Andes. A liberdade dos beija-flores é única preocupação de Luis. “Eles são criados com ajuda de humanos e vão sentir dificuldades quando forem embora. Tenho medo que alguém os pegue e os maltrate”, confessa Luis.

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