Mães sofrem com falta de vagas em creches


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Marília de Oliveira Lemes e o filho Rian, de 3 meses, ainda em fase de amamentação; para mãe voltar a trabalhar fora solução será deixar criança com vizinha
Marília de Oliveira Lemes e o filho Rian, de 3 meses, ainda em fase de amamentação; para mãe voltar a trabalhar fora solução será deixar criança com vizinha
A operadora de telemarketing Marília de Oliveira Lemes vive um dilema. Com um filho de 3 meses o qual ainda amamenta no peito, tem que voltar a trabalhar no próximo dia 22, quando acaba sua licença-maternidade e em seu bairro, o Chico Neca, não existem creches para deixá-lo. Seu horário de trabalho, das 8h às 15 horas, inviabiliza uma alternância de horário com o marido para cuidar do pequeno Rian. Marília não sabe o que fazer. Assim como ela centenas de outras mães sofrem com a falta de vagas em creches da cidade. Não há números exatos nem na Secretaria da Educação nem na do Desenvolvimento Social. O último levantamento informal, feito em 2006, apontava um déficit de atendimento de 1,8 mil crianças. “Sabemos que o problema existe e estamos fazendo o possível para resolvê-lo, mas ainda não conseguimos dar conta de tudo”, disse Leila Haddad, secretária municipal da Educação. Para muitas mães que não conseguem vagas para seus filhos, a alternativa é deixá-los com uma vizinha ou mesmo aos cuidados dos filhos mais velhos. A casa da aposentada Joana* é um exemplo disso. Ela cuida sozinha de cinco filhos pequenos de vizinhas suas. Por criança, ela cobra R$ 100. “Já cheguei a olhar 15 meninos de uma vez. Faço isso pra ganhar um dinheirinho e também para ajudar essas mães. O que elas fariam se não fosse meu trabalho?”. No Conselho Tutelar, órgão que fiscaliza o cumprimento dos direitos da criança, mais um reflexo da falta de vagas. “Muitas mães vêm até aqui para ver se, com nossa intervenção, conseguem garantir uma vaga, mas não temos como intervir. Infelizmente, nestes casos, cabe à família encontrar uma alternativa”, disse a conselheira Gláucia Limonti. O promotor da Infância e Juventude, Augusto Soares de Arruda Neto, disse que já procurou a Prefeitura para que providências contra o déficit de vagas nas creches fossem tomadas. “O poder público municipal alegou que faltam verbas, o que é verdade. Nossa esperança é que o quadro mude com o apoio do governo federal, que criou o Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) e deve aumentar os repasses para as prefeituras”.

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