“Todos que nasce no mundo tem seu destino traçado. / Uns nasce prá ser engenheiro e outros prá ser advogado. / Eu nasci pra ser violeiro, me sinto bastante honrado. / (...)As música do estrangeiro qué invadi nosso mercado, / vamo fazê uma guerra, cada violeiro é um sordado. / Nossa viola é a carabina e nosso peito um trem blindado./ A viola e o violeiro é que não pode ser derrotado”.
Os versos da música A viola e o violeiro, de Tião Carreiro e Pardinho, resumem o espírito do Clube da Viola de Franca: preservar a tradição da música raiz. Desde o ano passado, dezenas de violeiros da cidade se reúnem no Centro Comunitário da Vila Santos Dumont, na Rua Francisco Társia, 215, para tocar as modas de viola. Além disso, o Clube revela novos talentos e chama a atenção dos jovens que deixam o batidão de lado para apreciar o velho e bom som da viola.
O presidente do Clube, Sebastião Lana da Silva - o Martins da dupla Martins & Martineli - conta que o encontro dos músicos começou em agosto do ano passado, na Fábrica de Eventos, na rua Distrito Federal. Em novembro, Lana assumiu a presidência e transferiu a sede do Clube para o Centro Comunitário. “A Fábrica não era um espaço apropriado para mulheres e famílias. Não tinha banheiros adequados. As esposas reclamavam porque os maridos saíam para tocar. Qual músico que gosta de tocar para meia dúzia de homem?”, brinca Lana.
Solucionado o problema de espaço, o Clube da Viola chega a reunir 200 pessoas, de todas as idades, “de servente de pedreiro a médico”, mas com uma paixão em comum: a música sertaneja. Os encontros acontecem toda quinta-feira, a partir das 19h30. “É um espaço para toda a família e para os músicos, profissionais ou iniciantes, se apresentarem. No local, vendemos cerveja, porções, espetinhos e todo o dinheiro arrecadado vai para o Clube. Não visamos lucro”, explica o presidente.
A dupla Luiz Viola & Hélio Prado é uma das mais antigas na cidade e freqüenta o Clube desde a fundação. Com 35 anos de carreira, três CDs gravados e vários shows na região, Luiz, de 58 anos, ressalta a importância do Clube para a música sertaneja. “É um incentivo muito grande, além de ser um divertimento. Ninguém paga nada para entrar, novos talentos têm oportunidade de se apresentar e os mais experientes têm onde mostrar seu trabalho. O Clube começou pequeno e o trem aumentou”.
O parceiro Hélio, 54, concorda. “O Clube é uma coisa muito boa que resgata e mantém viva a tradição da música raiz. A nova geração de 13 anos está empenhada no estilo e participa se apresentando e ouvindo os mais experientes”.
Da nova geração que se apresenta no Clube da Viola, a dupla Saulo & Ricardo é um dos destaques, elogiados pelos violeiros mais experientes. Eles lançam o CD Distante Dela, sábado em Claraval. “O Clube é um espaço muito legal para quem gosta de música raiz. Nós já nos apresentamos várias vezes no Clube e isso ajuda a divulgar o trabalho”, conta Saulo, de 21 anos.
Os músicos do Clube da Viola também têm portas abertas no programa O Fino do Sertão da rádio Difusora AM. Transmitido ao vivo diariamente das 20 às 22h30, uma vez por semana o apresentador Élcio Fernandes convida uma dupla sertaneja de Franca ou da região para mostrar as músicas e conversar sobre a carreira. Os violeiros do Clube são presenças garantidas. “É um grande incentivo para a música raiz. O Clube mantém a tradição da viola e dos violeiros e abre espaço para novos talentos, como é o caso da dupla Saulo & Ricardo. A tradição continua e se renova”.
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