Das seis namoradas que Augusto*, 26, já teve, quatro eram mais velhas do que ele. Em três relacionamentos, a diferença superou os oito anos. Segundo ele, a preferência tem motivos muito simples. “Mulheres mais velhas são mais seguras de si e possuem muito mais experiência, inclusive na cama”. A primeira namorada dele tinha quase o triplo da sua idade. “Nós nos conhecemos quando eu tinha 17 anos e ela estava prestes a completar 47. Os três anos que ficamos juntos foram de grandes aventuras”. Isso porque não bastasse a mulher ser a mãe de um amigo, era também casada.
Casos como o de Augusto - de garotos mais novos que saem com mulheres mais velhas - ainda são raros, mas demonstram uma tendência que, segundo especialistas, deve tornar-se, com o passar dos anos, cada vez mais normal. “Pensar e viver de forma diferente daquela a que a sociedade está acostumada causa ansiedade e medo, mas é preciso ter coragem e discutir os valores que são transmitidos sem ser questionados. A diferença de idade no amor é apenas um exemplo dos inúmeros preconceitos que estão arraigados às pessoas, limitando inteiramente a vida”, afirma a psicóloga Regina Navarro Lins, autora do livro “Na Cabeceira da Cama”, que aborda as novas modalidades de relacionamento que ganharam destaque no século 20.
Outro bom exemplo é a jornalista Marília Gabriela, 59, e o ator Reynaldo Giannechini, 35, que foram alvos de comentários maldosos por causa da diferença de idade. Segundo a psicóloga Cláudia Cristina Palamoni, a polêmica foi causada em virtude do preconceito que há na sociedade. “Muitas pessoas acreditam que o jovem que se relaciona com alguém mais velho tem sempre segundas intenções e não um sentimento verdadeiro”.
NORMAL
A história de José Carlos Viana Oliveira, 29, e Aline Freitas Silva de Oliveira, 19, é outra prova de que o amor não tem idade. Eles se conheceram na Escola Estadual “Jorge Faleiros”, em Patrocínio Paulista. Ele é professor de gramática e conheceu Aline em 2004. Ela era sua aluna. Contra todas as regras, ficaram juntos. “Naquela época, nenhum dos dois manifestou interesse um pelo outro, era uma relação normal entre professor e aluna. Mas eu adorava estar com ele, aprendia facilmente.”
Após um mês, eles se reencontraram. “Eu comecei a perceber as indiretas dela, gostei e começamos a namorar.” Foi tudo muito rápido. Em apenas um ano, eles se conheceram, reencontraram, começaram a namorar, ela engravidou, eles se casaram e nasceu o filho. Ufa! “Quase enredo de novela”, brinca José Carlos. A diferença de idade do casal não é empecilho para que eles tenham um relacionamento maduro. “As pessoas muitas vezes até estranham a gente junto, por causa dos dez anos de diferença, mas nos completamos e isto é o que vale”, disse Aline.
Com a mudança na mentalidade da sociedade, são cada vez mais comuns situações como a do jovem Juliano *, 22. Há cinco meses, ele namora uma mulher que tem o dobro da sua idade. “Ela é mais velha que a minha mãe”. Devido à diferença de idade, o jovem abre mão das baladas e vai para os barzinhos da cidade. Ele não vê isso como um problema. “Muito pelo contrário, nós fazemos a nossa balada juntos”.
* Os nomes são fictícios a pedido dos entrevistados.
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