Cinema de graça vira ‘point’ da paquera em Rib. Corrente


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As amigas Bianca, Adriana e Lidiane conferem o filme da noite: novidades duas sextas-feiras por mês
As amigas Bianca, Adriana e Lidiane conferem o filme da noite: novidades duas sextas-feiras por mês
Sexta-feira, 20 horas, em Ribeirão Corrente. As meninas se aprontam para mais uma noite de diversão. Minissaia e blusinha de alcinha por conta do calor. Cabelos arrumados e maquiagem. Os meninos colocam roupa nova e passam gel no cabelo. Aos poucos, vão se aglomerando em frente à Casa da Cultura. Em poucos minutos os grupinhos se formam e começam os bate-papos e gargalhadas. A maioria aproveita para paquerar. Os mais novos querem brincar correndo de um lado para outro. Os poucos adultos que chegam se portam de maneira reservada e ficam nos cantos. É mais ou menos assim duas sextas-feiras por mês, quando os moradores vão até a Casa da Cultura para mais uma sessão gratuita de cinema. O projeto Cinema na Cultura, desenvolvido há quase dois anos, atrai moradores de todas as idades em busca de um pouco de lazer. A divulgação do filme é feita nas escolas e também por cartaz em frente à porta da Casa da Cultura. Na noite do dia 21, a atração foi o longa As Férias de Mr. Bean. No auditório, mais de 150 pessoas sentadas nas poltronas almofadadas recebiam as instruções do secretário de Cultura, Clodoaldo de Oliveira, sobre como se comportar para não incomodar ninguém durante a sessão. “Todos devem desligar o celular, não joguem nada no chão, não coloquem os pés nas cadeiras e todos devem fazer silêncio quando as luzes se apagarem”, disse. O último pedido não adianta muito, mas quando o filme começa, o silêncio toma conta da sala. Na tela de 180 polegadas, começa a exibição do filme que, para muitos moradores, é a grande diversão da noite, e melhor, de graça. As amigas Lidiane Alves Machado, 17, Adriana Souza, 13, e Vanessa Gomes, 15, saíram da escola às 17 horas, correram para casa, tomaram banho, se arrumaram e foram para a Casa da Cultura. Faltava mais de hora para o filme começar, e elas aguardaram com bom humor. “A gente chega mais cedo para encontrar com os amigos e conversar. Esse é praticamente o único lazer que a gente tem na cidade”, diz Lidiane. Para a estudante Bianca Monteiro, 13, o cinema de Ribeirão Corrente não perde em nada para o de Franca. “Além de ser de graça, não passa filme repetido”. A mesma opinião é compartilhada pelos amigos Lucas de Oliveira, 12, Leonardo de Oliveira, 12, e Murilo Santos, 14. “A gente sempre se reúne na casa dos amigos para assistir a filmes, por isso quando tem cinema não perdemos”, disse Murilo. [FOTO2] O aposentado Manoel Antônio Pimenta, 73, é outro fã de longas-metragens. “Em 70 anos, eu só tinha ido ao cinema uma vez. Desde quando começou a ter aqui em Ribeirão Corrente, não perco”. Pimenta ainda encontrou o amigo e vendedor Sidnei Barbosa, 34, que também é um apaixonado por filmes. “Quando minha mulher não se interessa pelo filme, vou sozinho. Essa é a nossa única diversão na cidade e por isso temos que aproveitar”. O Projeto Cinema na Cultura praticamente não tem custos para a prefeitura. O aluguel das fitas, por exemplo, não é cobrado. “O proprietário de uma locadora de Franca gostou do nosso programa e não nos cobra nada”, disse o secretário. A população ajuda na escolha dos filmes. As sugestões são dadas pela internet, no site da Prefeitura, ou pessoalmente na Casa da Cultura. No local, é vendido apenas refrigerante, que custa R$ 1,50. Pipoca já teve, mas foi cortada diante do estado que ficava a sala após as sessões. Mas parece que ninguém se preocupa muito com isso. Eles querem é curtir a sessão do dia. “Me arrumo toda só para assistir ao filme”, disse a estudante Adriana Souza, 13.

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