A inadimplência dos consumidores em Franca está em queda. De janeiro a agosto de 2007, em comparação com o mesmo período do ano passado, o número de títulos protestados nos três cartórios da cidade caiu 22,5%. Foram 31.577 dívidas (cheques e precatórias) levadas em juízo nos últimos oito meses, contra 40.782 em 2006. Uma diferença de 9.205 títulos.
De acordo com levantamento realizado nos três cartórios de protesto de Franca, no ano passado um título era levado para protesto por falta de pagamento a cada oito minutos. Neste ano, apesar do número ainda ser considerado alto, esse intervalo passou de oito para 12 minutos. Dessa forma, em uma hora, uma média de cinco contas são inseridas no sistema, três a menos em relação ao ano anterior.
Outro ganho foi no total de títulos cancelados (excluídos do sistema) que aumentou de um ano para o outro. Em 2006, foram 2.992 devedores que quitaram suas dívidas e voltaram a ter o “nome limpo”. Em 2007, o número até o fim do mês passado era de 3.207. Isso significa que, além de menos pessoas entrarem para a lista negra, mais consumidores procuram uma maneira de se livrar dela e voltaram a ter crédito na praça.
Para Lincoln Bueno Alves, do 1º Tabelionato de Franca, o nome da pessoa protestada em Franca irradia para todo o sistema de crédito do País e limita seu poder de compra. “Isso faz com que o consumidor procure honrar mais os compromissos adquiridos. Ele está mais consciente do alcance de um crédito protestado. Ninguém quer ter uma compra barrada”.
Sobre o atual cenário, Alves acredita em duas hipóteses: economia diversificada, com geração de emprego e renda, ou setor comercial fraco, com poucas vendas. “As pessoas podem estar mais contidas na hora de comprar ou até não estejam comprando, por isso essa diferença no total de títulos protestados de 2006 para 2007”.
Mesma opinião é compartilhada pelo economista Luís Carlos dos Santos. Segundo ele, os consumidores têm comprado somente o necessário e evitado o crediário tendo em vista as compras de fim de ano. “As pessoas têm comprado menos e procurado pagar à vista. É uma forma de economia para que todos os presentes possam ser comprados no Natal”.
CAUTELA
O comerciante Osmar Francisco Gaia, 59, proprietário de uma loja de confecções no Jardim Miramontes, acumula desde o início do ano mais de 50 duplicatas em atraso. Preocupado com a inadimplência, ele passou a adotar medidas preventivas para se proteger de novos calotes. “Já levei prejuízo de mais de R$ 4 mil por falta de pagamento de clientes, mas agora passei a tomar mais cuidado na hora de oferecer crediário”.
Cheque, só com garantia de pagamento. “Pego cheque com referência ou de fábricas, pois tenho mais segurança na hora de receber”, disse Gaia. Outra tática é preferir as vendas feitas com cartão de crédito. “É uma forma de me precaver. Cansei de levar calote”.
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