Morre-se à toa em Franca. Pode ser um tombo, um atropelamento, uma bala. A cidade teve 3.499 mortes não naturais entre 1980 e 2005. O número equivale à população de Jeriquara ou de Rifaina. O levantamento feito pelo Ministério da Saúde leva em conta todos os óbitos ocorridos por causas violentas, como quedas, afogamentos, acidentes, homicídios e suicídios, entre outros. O trânsito e os assassinatos foram os maiores responsáveis por essa matança.
Nove pessoas assassinadas e 40 mortas em acidentes de trânsito. Essa era a realidade de Franca em 1980. Depois de 25 anos, o número de homicídios triplicou (leia matéria na página ao lado). O de vítimas fatais por desastres dobrou. No período, 1.307 francanos perderam a vida em acidentes ou atropelamentos. Os dados levam em conta o local de residência dos mortos. Se alguém de Franca morreu na Bahia, por exemplo, seu nome consta da relação.
Em 2005, foram 85 francanos mortos por acidentes. O número foi o pior desde 1980. O segundo pior ano foi 2002, quando 72 francanos perderam a vida no trânsito. O melhor desempenho foi verificado em 1985, com 27 mortes.
O aumento de 113% (12º pior índice do Estado) das mortes de francanos no trânsito entre 1980 e 2005 foi bem superior à média estadual no período, de 23%. “São vários os fatores que contribuíram para o crescimento do número de mortos. O aumento da frota de veículos - a cidade ganha pelo menos 4 mil carros e motos por ano - é uma das causas. Também é preciso destacar a imprudência de motoristas, motociclistas e pedestres. O desrespeito às leis de trânsito é assustador na cidade.
Condutores não têm noção do perigo. Para eles, tudo parece normal e tranqüilo”, disse Marcelo Ferreira, engenheiro especialista em trânsito.
Se Franca ocupou uma posição nada honrosa no ranking de mortos por acidentes nos últimos 25 anos, o mesmo não se pode dizer de Araraquara. A cidade apresentou uma variação de apenas 1,72% no período. Foi o menor aumento registrado entre as 49 cidades com maior índice de mortes por causas violentas em 2005 - excetuados oito municípios que tiveram diminuição nas mortes de trânsito, e não aumento.
Por outro lado, Santa Bárbara D’Oeste teve o maior índice de crescimento, 660%. Cinco mortes em 1980 e 38 em 2005. Em Bauru, cidade do mesmo porte de Franca, o aumento nos últimos 25 anos foi de apenas 19% (32-38). Em São Carlos, foi de 70% (20-34); Ribeirão Preto, 41% (80-113) e em São José do Rio Preto 230%.
Foram 30 mortes em 1980, contra 1.995 no ano retrasado.
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