Os cenários são bucólicos e se contrapõem com as construções da cidade. Vacas, cavalos, galinhas com pintainhos, pomares, capim, bambuzal e até curral, paiol e riacho. Ninguém sabe quantas são, mas Franca, apesar de todo o crescimento dos últimos anos e de seus 328 mil habitantes, ainda tem propriedades rurais dentro da área urbana. Dispersas umas das outras, são difíceis de serem catalogadas e a tendência para os próximos anos é de que elas realmente sumam do mapa, após serem “engolidas” por novos loteamentos. É como se estivessem em extinção.
A maior concentração de fazendas urbanas fica próxima ao Franca Shopping. Três delas são praticamente grudadas, fáceis de ser percebidas. Ali, as vacas descansam tranqüilas ao lado de uma das avenidas mais movimentadas da cidade. Se o motorista se detiver e tiver “olhos de lince” dá até para ver as galinhas no poleiro.
Maria de Fátima Fernandes Batista, 43, mora há quatro anos numa dessas propriedades e não tem do que reclamar. O dia no local começa antes do sol nascer, às 5 horas, e quando chega próximo das 21 horas, a família já está preparada para dormir. “É uma vida bem sossegada e diferente, pois ao mesmo tempo moro na cidade e na roça. Quando preciso ir ao Centro, é só andar um pouquinho e logo tem um ponto de ônibus perto de casa”.
Em épocas de vacas gordas, ou melhor, galinhas, Maria até abre a porteira para a venda de frangos verdadeiramente caipiras, ou quase. “Vendo por R$ 15 o frango limpo, mas estou sem. Só daqui a uns três meses”, disse. Para quem for procurar pelo produto, não estranhe se o local da venda tiver endereço com nome de avenida e até ponto de referência e, ainda assim ser uma fazenda com direito a estrada de terra e curva de nível.
Não muito diferente, no caminho para o City Petrópolis, próximo ao pavilhão da Fenafic, também é possível ver plantações e cavalos pastando sem se incomodar com a movimentação vizinha.
O mesmo não se pode falar de uma propriedade na região do Parque Santa Hilda, do outro lado da cidade, que parece saído de um filme de suspense. As edificações, embora oponentes e típicas de uma grande fazenda, com direito até a uma capela e uma fonte na entrada, chamam a atenção, mas estão abandonadas. Apesar da propriedade ainda ter um caseiro, as construções estão todas depredadas por vândalos. Animais também não há, assim como plantações, jardins ou árvores frutíferas. Segundo moradores da região, que preferiram não se identificar, o proprietário seria muito rico e não teria interesse nas terras. Ele não foi encontrado pela reportagem.
Não muito distante, um sítio de 20 alqueires, nos fundos do Castelinho, está com os dias contados. Em breve, a área, que já teve 50 cabeças de gado e produção de diversos tipos de verdura, será transformada em loteamento pelo proprietário. Um dos motivos apontados seria a aproximação da cidade. “Não há como continuar. Depois que começou a entrar gente, vi que a melhor solução era desativar a propriedade”, disse ele, que pediu para não ter o nome divulgado.
As últimas vacas foram embora há um mês. No local, só sobraram as estruturas de um antigo curral e de um paiol e um balaio velho esquecido.
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