Como diria José Simão, colunista da Folha de S. Paulo, “a Playboy é uma revista de ficção. Nem as próprias modelos se reconhecem quando vêem as fotos publicadas”. O nome do segredo: o Photoshop, um programa de computador capaz de aumentar seios e bumbum, fazer clareamento dental, bronzeamento de pele, botox, plásticas e até lipoaspiração.
O Adobe Photoshop é um aplicativo de edição de imagem mais usado e mais completo. Criado por Thomas Knoll em 1989, o programa é responsável por mais de 80% do mercado de edição de computadores. Esse resultado faz o programa ser usado quatro vezes mais que todos os outros concorrentes juntos. Antes, os designers usavam o programa apenas para corrigir o brilho e a nitidez da imagem, mas hoje, eles vão além. Mudanças radicais são feitas em poucos segundos, sem dor, e o resultado: outra pessoa.
Quem nunca pensou em modificar alguma parte do corpo por insatisfação ou curiosidade que atire a primeira pedra. Ter pernas grossas, sem estrias e cicatrizes, um nariz empinadinho ou lábios desejáveis é, sim, possível para o Photoshop.
Além disso, é um programa que possibilita o tratamento da imagem, resolvendo problemas como controle do brilho e contraste, e pode até mesmo restaurar uma foto danificada. O processo é relativamente simples: você digitaliza a imagem, passando do papel para o computador, e acerta com o programa todas as imperfeições, seja um rasgo ou a deterioração causada pelo tempo.
A lista de utilizadores profissionais do programa é extensa. Agências de notícias, publicidade, desenvolvedores de sites para a internet, webdesing e empresas relacionadas a confecção de convites de aniversários, festas, gráficas e fotógrafos, entre outros, integram a seleção. E não é só. O Photoshop também é usado por investigadores. A testemunha descreve a fisionomia do acusado, o desenho é feito em papel, depois escaneado, aberto no Corel Draw, onde é modificado, e o acabamento é feito no Photoshop. Nestes casos, ele tem a função de colorir e dar detalhes ao rosto do suspeito.
Para Maurício de Azevedo Valentini, webdesigner sênior e professor do curso de publicidade e artes plásticas da Unifran (Universidade de Franca), é impossível viver sem Photoshop nos dias de hoje. Cada versão do programa é lançado com uma função diferente ou mais aperfeiçoado. “Uso há mais de nove anos e até hoje existem ferramentas e opções que desconheço, principalmente os atalhos de teclado. São coisas que só se aprendem na prática e que são essenciais para o planejamento gráfico”, disse.
As opções são tantas que a cada dia mais pessoas se atraem e procuram fazer cursos especializados. Na Centro de Informática Microlins, a orientadora Vanusa Ferreira percebeu o aumento. “De janeiro a março, a procura pelo curso de Photoshop era de 20% entre os cursos que oferecemos. Hoje, subiu para 40%. É um dos campos de mais procura”, disse. Para quem gosta de aprender pela internet, existem tutoriais sobre as funções do programa, além de sites que vendem pacotes que te ensinam a mexer.
As vantagens deste programa chamou a atenção da estudante Linara Maria Guiralbelli, 21. “Acho o máximo os milagres que ele faz”, diz. Para Valentini, o programa pode ser utilizado até para a diversão. “A ferramenta desmanchar, por exemplo, é fácil de ser utilizada. Você pega qualquer foto e pode puxar o nariz, arregalar os olhos, aumentar a orelha, entre outras opções.
Quando dou aula percebo que os alunos se divertem com esta ferramenta”, disse Maurício. Alguns chegam a retorcer e a desfigurar por completo as pessoas. “Mas é disso que eles mais gostam”.
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