O universo dos blogs


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O fenômeno dos Blogs veio para ficar. Nos últimos dias participei de três seminários para discutir o tema. Há quem considere os blogs apenas uma forma de jornalismo se valendo de novas tecnologias. Na verdade, trata-se de uma mudança fundamental na forma de fazer jornalismo. O jornalismo tradicional obedece a uma espécie de linha de produção com responsabilidades diluídas. Começa com a pauta. O chamado aquário (direção) planeja algumas matérias, o pauteiro de cada editoria consolida as sugestões e apresenta as suas. Em geral se tem um pauteiro por editoria. Ele lê os jornais, recebe os releases das assessorias de comunicação, recebe a relação de eventos programados do dia, das diversas sucursais. A partir daí seleciona as pautas. A pauta é um roteiro a ser seguido pelo repórter. Contém algumas perguntas básicas, algumas orientações genéricas ou específicas e o nome de fontes a serem consultadas. Como o pauteiro é grande, mas não é dois, as questões quase sempre são genéricas e as fontes quase sempre são as mesmas. A pauta é entregue para o repórter, em geral jornalista iniciante. Sem experiência na matéria, em apenas um dia terá que conseguir falar com a fonte, perguntar-lhe sobre o tema em geral (para entender do que está falando) e formular as perguntas solicitadas. O repórter volta para a redação, entrega a matéria para o redator, que revisará o texto e eliminará erros mais evidentes. Finalmente a matéria é paginada, cabendo ao editor fazer a manchete. Muitas vezes a matéria sai do “aquário” com determinado enfoque. O repórter, em contato com a notícia, apura visões distintas. Para manter o enfoque original, em muitos jornais haverá manchetes que não reproduzem fielmente o texto. Em parte devido à pressa do fechamento; em parte para atender às solicitações do “aquário”. Nos blogs jornalísticos, o jogo é diferente. O blogueiro coloca uma nota. Os leitores entram comentando. Muitas vezes meramente para externar sua opinião. Outras vezes, trazendo informações adicionais, questionando o enfoque escolhido. São milhares de pessoas espalhadas por várias localidades. Dependendo do ambiente criado poderá haver uma riqueza e rapidez informações imbatível. Dependendo do ambiente, informações incorretas ou injuriosas. No estágio atual, há muita catarse nos blogs. Em parte provocado pelas possibilidades abertas pelo novo “brinquedo”. O leitor médio ganhou direito ao consumo nos anos 70, ao voto nos anos 80, à opinião, nos anos 90, mas ainda de forma estática -enviando cartas aos jornais ou, através de pesquisas, induzindo o jornal a dar o que ele deseja. Com a Internet, ele passa a ser voz ativa no processo. Pode opinar diretamente, sem intermediários. No primeiro momento, o abuso faz parte do jogo. Depois, o sistema amadurece como um todo. A próxima etapa da Internet e do sistema de blogs será a ampliação do conceito de comunidades - que já existe em portais tipo Orkut. Comunidades de estudiosos, ou de empresas se juntarão no mesmo ambiente, trocando informações, produzindo informações e fazendo negócios. Segundo dados do IBOPE, maior parte dos leitores de blogs jornalísticos está na faixa etária superior a 30 anos. Os leitores mais novos freqüentam mais blogs não jornalísticos. E buscam informações de uso prático, como ferramentas de hacker, relacionamento, trocas de músicas etc. Por isso a idéia de que os blogs jornalísticos ainda são, no fundo, extensão do colunismo nos jornais. A idéia de que a Internet substituirá os jornais é falsa, segundo consenso dos debatedores de evento promovido pela Lew Lara Propaganda. Como lembrou o professor Carlos Chaparro, jornal não é meramente o que sai publicado em papel. Um jornal é uma instituição, com personalidade própria, leitores, formas de tratar a informação. O fato de sair em forma impressa ou digital é detalhe, não o essencial. Questionou-se a questão das informações não identificadas, ou dos spams que circulam pela Internet. Ou mesmo de blogs falsos, como alguns criados para iludir a opinião pública. Nos EUA, por exemplo, fez sucesso um blog que era feito por um Steve Job (o criador da Apple) falso. Esse caos faz parte do jogo inicial. Com o tempo o próprio público criará âncoras de opinião, onde se escudar. PREVIDÊNCIA - 1 Como todos os economistas sérios deste País haviam previsto, a retomada da economia reduziu o déficit da Previdência Social. Em agosto é déficit fechou em R$ 2,57 bilhões, a maior queda em um mês na história, segundo o Secretário de Políticas de Previdência Helmut Schwarzer. Houve queda de 20% em relação ao déficit de agosto do ano passado, de R$ 3,24 bilhões. Em julho a arrecadação aumentou R$ 500 milhões. PREVIDÊNCIA - 2 O crescimento da arrecadação foi de 11,2% em relação a agosto de 2006. Arrecadaram-se R$ 11,68 bilhões, valor recorde.Dos R$ 500 milhões, R$ 350 milhões corresponderam ao aumento da arrecadação das empresas, indicando ampliação do emprego formal. A diferença entre o aumento do saldo e da arrecadação se deve ao censo previdenciário, que eliminou benefícios a contribuintes já falecidos. PREVIDÊNCIA - 3 Pela forma correta de calcular o déficit da Previdência, excluindo dele o LOAS e as isenções fiscais, o resultado da Previdência é superavitário em R$ 880,4 milhões. São duas boas notícias: o superávit e o fato da mídia ter começado a analisar as contas da Previdência da maneira correta. Essa metodologia foi implantada pelo ex-Ministro Nelson Machado e passa a constar, agora, de todas as notas da Previdência.

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