Quem for ao complexo Poliesportivo neste fim de semana terá a sensação de fazer uma viagem no tempo e retomar várias décadas do século passado. Lá, mais de 250 carros antigos deverão refrescar a memória dos mais velhos e dar uma aula de história para os mais jovens, que estão acostumados com os designer modernos dos carros de hoje. É a segunda edição do Auto Raro, das 9 às 17 horas no sábado e domingo. Para participar, basta levar um quilo de alimentos não perecível.
A belle époque vivida nos 30 primeiros anos do século passado poderá ser relembrada por modelos como um Chevrolet 1926, o mais antigo da exposição, ou o Ford A Cabriolet, de 1931, este último a marca de uma geração. Conhecido como Baratinha, ele foi o primeiro carro lançado pela marca de Henry Ford com vidros nas portas, um luxo para poucos da época. Além disso, o carro é conversível e conta com um assento especial no porta-malas. O banco, pela disposição na parte traseira do veículo e sem a cobertura do capô, foi apelidado carinhosamente de “banco da sogra”.
Embora vinte anos mais novo, o Citroën 73 DS 23 Pallas chama a mesma atenção. O veículo francês, a grande sensação do Salão de Paris de 1955, nos dá a sensação de estarmos em um filme europeu da década de 50 e, ainda hoje, a máquina tem tecnologia que desperta a atenção de curiosos. A começar pela sua suspensão automática, que é ativada manualmente, através de uma manivela, após a ignição do carro. A primeira impressão que se tem ao vê-lo é que o automóvel está estragado, com a lataria traseira quase no chão. “Só tem três carros destes no Brasil, sendo que um está em uma oficina depois de sofrer um acidente”, diz o proprietário Langelton Tavares.
Após ligado, o carro tem sua suspensão levantada e fica pronto para rodar. Outra inovação são os faróis dianteiros, que se movem de acordo com a movimentação do volante. Se o carro vira para a esquerda, os faróis também viram.
Um dos que visitarão o espaço é o chanceler da Universidade de Franca, Clovis Pinto Ludovice, um dos fundadores do clube. Além de expor um Lincoln 1946, Clovis espera relembrar de momentos de sua história. “Quando vê um carro antigo, a gente se identifica com a história de vida cada um.”
Já quem viveu a juventude nos anos 60 e 70 com certeza terá suspiros ao ver o Karmann Ghia 62. O carro, que foi símbolo de toda uma geração, era o sonho se consumo dos apaixonados por quatro rodas na época. Sua produção, quase artesanal, fez com que o carro, originalmente desenvolvido pela marca italiana Ghia e produzido pela alemã Karmann, custasse caro na época. Para se ter uma noção, seu valor era quase cinco vezes mais alto do que o do Fusca, o campeão de vendas na época.
E por falar em Fusca, vários exemplares do carro mais famoso do mundo poderão ser observado na exposição, assim como Opalas e Corcéis, presentes em versões originais ou adaptadas.
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