Depois de um início de segundo semestre difícil para os empregados do setor calçadista, os pedidos de lojistas para o fim do ano prometem ser uma injeção de ânimo para quem está desempregado. Grandes e pequenas empresas e bancas de pesponto contabilizam o aumento de produção e garantem: vão contratar.
Das 14 empresas ouvidas pelo Comércio, oito confirmaram a abertura de 160 vagas. Em agências de emprego, são mais 71 postos anunciados e, no listão de empregos da rádio Difusora, estavam expostas ontem 75 vagas. Os salários vão de R$ 485 a R$ 2,5 mil. As vagas estão abertas nos mais diversos setores, do de corte ao de acabamento do calçado, além dos cargos de chefia e pedidos de bancas de pesponto legalizadas.
A Calçados Agabê é uma das empresas que vai contratar para dar conta da produção. A fábrica, que hoje conta com 400 funcionários, quer empregar outros 40. “Atualmente produzimos 1,5 mil pares por dia na unidade de Franca e devemos aumentar a produção para 2 mil. A perspectiva é abrir as novas vagas para diversas áreas de produção”, disse o assessor financeiro da empresa, Ronaldo Steffani.
Com um aumento de pedidos, a JotaPê Calçados não vê outra alternativa a não ser contratar mais funcionários. Os cargos oferecidos pela empresa são para todos os setores. Se efetivadas as contratações, o número de empregados vai saltar de 164 para 194. Luciene Granero de Castro, responsável pelo departamento administrativo, disse que o aumento nas vendas é o principal responsável pela abertura das vagas. “Produzíamos mil pares por dia, agora são 1,4 mil”.
A oferta de empregos não se restringe às grandes fábricas. Microempresas e bancas de corte e pesponto também já abriram vagas. Na Calçados Moreover, por exemplo, seis novos empregados devem ser contratados nos próximos dias. O proprietário Luís Henrique Moreira disse que a microempresa ampliará em 200 pares sua produção diária que hoje é de 500 pares.
Se a boa maré dos meses de setembro e outubro de 2006 se repetir neste ano, quem está desempregado pode se preparar para ocupar um posto de trabalho. Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), órgão ligado ao Ministério do Trabalho, dão conta de que no ano passado 1,8 mil vagas foram criadas nesses dois meses.
Para o economista e professor do Uni-facef (Centro Universitário de Franca), Hélio Braga Filho, a boa fase registrada no ano passado pode voltar a movimentar o setor. “Não esperamos uma explosão de empregos, mas um bom quadro de ofertas, já que em todo o País, os empregos têm aumentado”.
Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Sapateiros, é ainda mais otimista. “Tradicionalmente nessa época a tendência é de aumento nas contratações. Não acredito que neste ano será diferente”.
Colaborou Thiago Rociolli
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