Amigos que trabalham junto e com um gosto em comum: a música. Mais especificamente o rock’n roll. Seguindo a trilha das bandas que fazem sucesso nas noites francanas e dando continuidade à série Músicos da Noite, o grupo Composto Ativo, de Ribeirão Preto, ganha espaço hoje.
A formação original da banda é com cinco integrantes, mas para baratear o show e facilitar as viagens, é um trio que se apresenta quase todas as semanas nos bares de Franca com casa cheia garantida.
Carlos Alberto Nogueira de Souza, o Carlinhos, 35 anos, que toca guitarra, Michele Freitas dos Santos, 32, vocalista e percussionista, e Adilson Rodrigues Esteves, 36, no baixo, são amigos de muitos anos e há seis tocam juntos. “Cada um trabalhava com uma coisa diferente, mas a música falou mais alto”, conta Michele.
O repertório da banda é de rock’n roll, dos clássicos aos contemporâneos. Músicas de Scorpions, The Cranberries, Queen, Kansas, Bon Jovi, U2, Simple Plan, Kid Abelha, Madonna, Fergie e Alanis Morissette - que não é para qualquer uma cantar e Michele faz bonito com o microfone e a gaita - são algumas tocadas pela Composto Ativo, que também tem composições próprias.
Um diferencial da banda é a improvisação. Eles dizem que não ensaiam e muitas músicas são tiradas ouvindo rádio durante as viagens. “Todo show nós fazemos alguma coisa diferente. Não somos uma banda clichê, cada um faz sua parte e gostamos de improvisar no palco”, conta Carioca.
O CAMINHO
A roqueira Michele começou a cantar em uma igreja evangélica, em São Paulo. Mas em sua casa não se ouvia rock, a avó não gostava. Aos 19 anos, começou a fazer faculdade de Direito em Ribeirão Preto e montou uma banda. A partir daí, a história é a mesma da maioria dos músicos: a difícil conciliação do trabalho de dia com a rotina de uma banda à noite. “Eu larguei a faculdade e trabalhava como vendedora, mas chegou uma hora que não dava mais. Hoje vivo só de música, além da banda, faço trabalhos em estúdios e jingles para rádio”, disse Michele.
A dona do vozeirão é casada com o dono da guitarra e tem um filho de dois anos com ele e outro de nove de outro casamento. “Trabalhei nas minhas duas gestações, fiz show com barrigão e animei carnaval. Minha missão é passar alegria, fazer o público se divertir e me sinto realizada”.
Carlinhos teve o primeiro violão com seis anos. Aos 15 já tocava em banda. Antes de conseguir pagar suas contas com a guitarra fez de tudo um pouco: trabalhou na Fepasa, em gráfica, foi mecânico... “Foi difícil conciliar o trabalho de músico com outro emprego. Pode não parecer para quem não é da área, mas é preciso dedicação integral para a música”.
Na bagagem de Carioca, além do baixo, muita história para contar. Eclético, diz não ter preconceito com estilos e se diz apreciador da boa música. Ele já tocou com Axé Blond e Tim Maia. “Comecei a tocar violão porque minha irmã ganhou um e começou a fazer aulas, mas quem aprendeu foi eu, com oito anos”, conta, com o sotaque que deu o apelido, já que ele é nascido no Rio de Janeiro.
Ao contrário dos outros integrantes, Carioca sempre se virou para viver apenas da música. Foi professor de violão e técnica vocal no Conservatório Nacional do Rio, deu aulas de violão e foi proprietário de uma banda baile. “Comecei duas faculdades e tranquei. Também já tentei trabalhar, mas é impossível conciliar as duas coisas”.
A CHEGADA
O maior desejo dos três músicos é o mesmo: ter um bom empresário para gravar um CD. “Não queremos gravar por gravar, para depois ficar guardado ou vendendo de bar em bar. Hoje em dia qualquer banda faz isso. Queremos ter um propósito, alguém que distribua e venda nossos shows”, ressalta Carioca. Fica o chamado para os empresários da região, talento não falta.
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