Pernilongos do mal


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Nair Grac mostra a perna do neto José Miguel que infeccionou depois de ser picado por um mosquito
Nair Grac mostra a perna do neto José Miguel que infeccionou depois de ser picado por um mosquito
A cena se tornou comum. Depois de um dia estressante de trabalho, você chega cansado em casa, toma um banho e resolve descansar no sofá. De repente, é acordado com um zunido irritante e contínuo. Não, não é a TV que saiu do ar, mas um maldito pernilongo disposto a azucrinar sua vida. Nem mesmo a tão esperada noite de sono eles respeitam. Pelo contrário, escolhem justamente esse momento para fazer barulho na sua orelha. Basta apagar a luz para mostrarem que estão na área. Esses insetos medem apenas meio centímetro e vivem, no máximo, 30 dias, mas são capazes tirar qualquer um do sério. Em Franca, com o calor e falta de chuvas, a população de mosquitos aumentou na área urbana e tem, literalmente, tirado o sono de muitos moradores. “As fêmeas costumam depositar os ovos nas margens dos córregos e lagoas. Geralmente, as chuvas levam as larvas para longe da cidade, mas, com a seca, acabaram eclodindo na cidade mesmo e invadem as casas”, disse Fernando Baldochi, chefe de Vigilância em Saúde da Prefeitura. O aumento dos insetos começou há cerca de um mês. A presença dos invasores é maior nos bairros próximos a córregos e lagoas, como São Joaquim, Jardim Dermínio, Paulistano, Lima e Aeroporto. A Vigilância Ambiental recebe, pelo menos, uma reclamação por dia em que a pessoa se queixa da presença de pernilongos nas residências. Nesses casos, os técnicos visitam o local e apenas orientam os moradores sobre formas de combater os insetos. Os técnicos ainda fazem a captura dos bichinhos para análise. “Já fizemos vários testes e não encontramos o Aedes aegypti, que transmite a dengue”. Para acabar com a praga, algumas pessoas sugeriram para a Prefeitura espalhar veneno na cidade, mas essa possibilidade está descartada. “O veneno pode causar danos a outras espécies, como plantas. O melhor é apelar para medidas mecânicas”, disse Baldochi. É justamente isso que a população tem feito. Enquanto os bichos não param de azucrinar, os francanos criam suas próprias armas. Por causa do calor, os netos da dona de casa Nair Grac, 57, dormiam de fraldas, mas, depois de serem picados nos braços, pernas e rostos, só dormem de calça e blusa de manga. “A gente coloca uma calça mais fininha, mosquiteiro, repelentes na tomada e fecha todas as janelas para evitar a entrada desses pernilongos porque as crianças são alérgicas e estavam ficando todas marcadas de picadas”, disse a avó de Kauã, 1, e José Miguel, de 6 meses. Eles moram na Vila Santa Terezinha. Na casa da psicóloga Renata Emer, 44, no Parque dos Lima, as janelas também ficam fechadas, além de possuírem telas. “Já cansei de tanto pernilongo e bicho que tem aqui. O problema é o córrego e os entulhos que as pessoas jogam na frente da minha casa. São verdadeiros criadouros de mosquitos”. Além das telas, ela e o marido costumam aplicar inseticida spray na casa. “A gente joga o veneno e sai para dar uma volta e deixar agir. Senão, a gente não agüenta os insetos”. O aumento da população de pernilongos tem reflexo imediato na venda de repelentes. Na Drogasil do Centro, o produto acabou. A gerente Lívia Peres disse que a rede costuma repor o estoque de repelentes somente no verão, quando a venda é maior, mas precisou antecipar os pedidos. “Faz uns 15 dias que estamos vendendo de três a quatro embalagens por dia. Antes passávamos dias sem vender repelentes”. Os repelentes em loção e spray custam entre R$ 6,90 e R$ 25. As pragas devem continuar presentes nas casas até que chova forte na cidade. Segundo o Instituto Climatempo, até segunda-feira não deve cair uma gota em Franca.

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