Jovens do MLST ganham bolsa para estudar medicina em Cuba


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Alan Herculino se despede da tia Maria Herculino enquanto Marcelo Damaceno segura a mala que levarão para Cuba
Alan Herculino se despede da tia Maria Herculino enquanto Marcelo Damaceno segura a mala que levarão para Cuba
Muitos jovens sonham em cursar medicina, mas não conseguem ingressar em uma faculdade ou pagar pelo curso. Os amigos Marcelo Damaceno, 20, e Alan Herculino, 22, que moram no assentamento da Fazenda Boa Sorte, em Restinga, não passarão por esta angústia. Os dois amigos fazem parte de um grupo de cinco pessoas ligadas ao MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) de Restinga e Cristais Paulista selecionado para receber uma bolsa de estudos do governo cubano. Eles vão estudar na Escuela Latinoamericana de Medicina (Elam), que fica em Havana. O grupo tinha viagem marcada para a madrugada de hoje, devendo chegar naquele país às 15 horas. Todos os anos o governo cubano seleciona um grupo de cem pessoas de famílias de baixa renda para estudar naquele país. A escolha é feita pela Embaixada de Cuba em São Paulo e em Brasília e pode durar até dois meses. Os brasileiros fazem prova de redação e teste psicológico. Quem é selecionado recebe bolsa integral que cobre moradia, alimentação e material escolar. A permanência naquele país dura seis anos. “Estamos muito felizes por eles. Aqui no Brasil eles não teriam condições de cursar faculdade porque não temos condições de pagar”, disse Sonilda Silva, uma das coordenadoras do MLST na Boa Sorte, que acompanhou todo o processo de seleção. O grupo da região foi informado da seleção pelos organizadores do MLST e decidiu participar. Apesar do nervosismo, Marcelo não escondia a emoção. “Só vai ser difícil ficar longe da família, mas acredito que todo ano vai dar para a gente vir”, disse. As passagens da viagem são pagas pela direção do MLST. O pais de Marcelo e Alan, que saíram na manhã de ontem do assentamento, acompanharam os filhos até São Paulo. Para Roberto Coelho, pai de Marcelo, o difícil será se acostumar sem o filho por perto. “Temos que aceitar. Ele está buscando o futuro dele. Eu não tenho como dar uma faculdade para ele”, disse. Quem não gostou muito foi a avó, Iraci Damaceno, que ficou chorando. Izilda Faria Herculino, mãe de Alan, disse estar com o coração apertado, mas aceitou a decisão do filho. “A minha filha estava estudando na Unifran e teve que trancar o curso por falta de dinheiro para pagar a mensalidade. Isso é muito triste. Ela não tem esperança de voltar a estudar. Felizmente, com o Alan será diferente”, disse. A previsão é que as aulas comecem ainda em setembro, já que o ano letivo naquele país vai de setembro a julho.

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