O prefeito de Franca, Sidnei Rocha (PSDB), decidiu se calar após as denúncias do vereador Silas Cuba (PT), publicadas ontem pelo Comércio, de que haveria ‘várias irregularidades’ na construção da ponte sobre o Córrego dos Bagres, próxima à Avenida Rio Negro, no Residencial Amazonas. O tucano foi procurado, na tarde de ontem, via e-mail e em seu gabinete, mas preferiu não se manifestar.
De acordo com fontes ligadas ao gabinete, Rocha estaria bastante irritado com a ação do petista, que protocolou representação no MP (Ministério Público) com as denúncias.
Entre os questionamentos feitos ao prefeito por e-mail, maneira mais comum, nos últimos meses, de se entrevistar Rocha, estavam perguntas relativas às acusações de Silas, como o fracionamento da obra, as condições estruturais da ponte (que já estaria necessitando de reforços) e como ele via a presença, na obra, do ex-secretário de Planejamento Urbano Wilson Teixeira, do engenheiro da Prefeitura Marco Franceschi e da Betontest Engenharia. Rocha não res-pondeu.
Os dois funcionários e a empresa estão relacionados pela Promotoria e pela Divisão de Auditoria Interna da Prefeitura ao ‘Escândalo do Bagres’. Além disso, são alvos de investigação criminal por formação de quadrilha e conluio, crimes que podem, juntos, render até sete anos de cadeia para os envolvidos.
Além desses, outros problemas foram apontados por Cuba ao MP. Entre os principais, o petista afirma que a licitação e a construção da ponte foram realizadas sem licença ambiental, que até agora não teria sido emitida, e que a Prefeitura teria pago, de forma irregular, por serviços não realizados no local.
A metralhadora do petista aponta, ainda, para a Arcos Engenharia e Construções, que teria elaborado um novo projeto estrutural para a ponte, ao custo de R$ 13 mil, para ‘consertar’ as falhas do projeto original, feito em 1990 e considerado ultrapassado. ‘Como é possível a empresa fazer o projeto e depois realizar a obra? O prefeito rasgou a Lei de Licitações’, diz Cuba.
PARADA
O objetivo inicial do projeto era desafogar o trânsito naquela região, onde estão localizados importantes centros comerciais, como o Franca Shopping, Carrefour e Wal Mart. Mas, até agora, já foram gastos mais de R$ 1,1 milhão no local e o que se tem é uma obra inconclusa.
Do montante, R$ 516 mil pagos para a Arcos, que construiu a ponte, e outros R$ 604 mil à Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), que realizou obras de abertura, drenagem, terraplenagem, pavimentação e recapeamento asfáltico no local.
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