Gramsci na Unesp


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Há 10 anos, mais precisamente em maio de 1997, a Unesp de Franca realizou um Seminário de estudos e debates que tinha como motivação a reflexão em torno das idéias e da vida de Antonio Gramsci, pensador italiano vinculado ao marxismo que produziu uma das mais importantes obras a respeito da política e da vida social na contemporaneidade. O evento foi expressivo já que foi promovido pela direção da Unesp de Franca, mobilizou os principais estudiosos do pensamento grasmciano no Brasil, dentre eles Carlos Nelson Coutinho e Luiz Werneck Vianna e conseguiu alcançar repercussão internacional, sendo noticiado na Itália e nos EUA. Dois registros são importantes a respeito daquele evento. Primeiro, foi a cobertura jornalística que o Comércio da Franca dedicou ao seminário. Todos os dias da semana, as páginas do jornal contavam não apenas com o anuncio da programação do dia, mas principalmente com a cobertura jornalística do que tinha ocorrido no dia anterior, através de reportagens, entrevistas e fotos. Além disso, o jornal também publicou artigos de participantes do evento, especialmente as sínteses que alguns alunos produziram a respeito da importância do pensamento de Gramsci em relação à História, Direito e Serviço Social, os cursos existentes à época na Unesp de Franca. A cobertura do Comércio deu uma dimensão pública significativa ao evento. Em segundo lugar, as principais exposições e conferências foram reunidas no livro “Gramsci: a vitalidade de um pensamento”, publicado em 1998 pela Editora Unesp que, efetivamente se transformou num clássico dentre os leitores e comentaristas de Gramsci no Brasil e hoje se encontra esgotado. Sem dúvida, a publicação do livro valorizou e consagrou academicamente a iniciativa, demonstrando que a Unesp de Franca era capaz de promover e sustentar iniciativas dessa natureza. Depois de 10 anos, a Unesp/Franca volta, nessa semana, a integrar evento do gênero. Agora, fazendo parte de uma iniciativa que envolve acadêmicos e animadores culturais não apenas vinculados a Unesp de Franca. A III Semana de Estudos Gramscianos se realiza, de 17 a 21 desse mês, com eventos em Ribeirão Preto, Franca e Jaboticabal. Em termos substantivos, entendo que seria importante afirmar dois pontos de vista a respeito de Gramsci e de sua influência em relação ao universo da esquerda mundial e brasileira. Em primeiro lugar, trata-se de localizá-lo como um pensador que, no interior do marxismo, conseguiu, por meio da sua “teoria da hegemonia”, produzir uma nova perspectiva para a esquerda, baseada na produção de consensos obtidos por meio da política da democracia. Gramsci superou, assim, as idéias cristalizadas de “revolução explosiva” e de “ditadura do proletariado”. Em segundo lugar, valeria a pena enfatizar que hoje, ao contrário do que alguns imaginam, Gramsci não deve ser mobilizado contra a democracia que construímos no País e, exatamente no sentido inverso, deve ser mobilizado como um pensamento que pode nos auxiliar a dar um novo viço a essa nossa caminhada para tornar a nossa democracia menos frágil e a nossa República mais virtuosa. ALBERTO AGGIO é professor no curso de Relações Internacionais e no de História, da Unesp.

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