Uma palmada dói, sim


| Tempo de leitura: 2 min
Realmente o assunto é polêmico (leia o artigo da colunista Maria Ignez Archetti, em http://www.comerciodafranca.com.br/mate-ria.php?id=21075), mas se é dos pais a incumbência de educar os filhos, a lei não deveria interferir na correção. A lei pode e deve coibir castigos físicos que colocam em risco a vida das crianças. Palmadas, chineladas, correiadas e beliscões, não. Estas ações podem até marcar a pele, mas hematomas desaparecem e fica a lição. No meu tempo, a gente tinha medo dos pais, da polícia, da professora, respeitava a hierarquia e pensava pelo menos duas vezes antes de cometer qualquer delito. Hoje as crianças batem nos pais e desafiam a autoridade. Fui professora nos anos 80 e um aluno adolescente me desafiou a tirar as suas faltas senão me “pegaria” na saída da escola. Ele media 1m80 de altura e eu 1m50. Furiosa, olhei bem para ele e disse: “Se quer me bater, vamos pra fora agora e se prepare para apanhar também, seu moleque!”. Ele arregalou os olhos, foi se afastando e caiu sentado na primeira cadeira que esbarrou. Ficou completamente mudo e se tornou mais assíduo. Educar os jovens de hoje é difícil já que não compreendem a palavra “não”. A correção, portanto, tem que deixar marcas, para ser lembrada. Acredito que se Deus fosse ditar os 10 mandamentos nos dias de hoje, certamente ele excluiria os “nãos”. Ao invés de dizer “Não Matarás”, ele diria “Se matares, certamente morrerás”; “Se furtares, serás roubado”; “Se adulterares, vais virar corno (sic)”; “Se adorares outros deuses, eu me afastarei de você” e assim por diante. Os valores morais estão tão corrompidos, que os sermões são impraticáveis, os conselhos inúteis, o castigo tem que acontecer. A palmada dói, concordo, mas é pra doer mesmo. Rosa Santa Batista é bancária e integra o Conselho de Leitores do Comércio ***** Em minha época de escola, tive vários pais. Explico-me: na Escola Amália Pimentel, onde comecei meus estudos, tínhamos professores iguais a D. Rosa (autora do texto anterior desta seção) que se comportavam como nossos genitores. Gente por quem a gente tinha respeito, considerava como pai ou mãe – tenho certeza que falo por quase todos meus ex-colegas de escola –, e ama até hoje, a exemplo de D. Marta, D. Lourdinha, D. Dora, D. Nair, “Seu” Sétimo, D. Rose, “Seu” Miter Maia, “Seu” Nilton, D. Célia, D. Olga. Quero dizer à colunista Maria Ignez que, via de regra, algumas proezas eu aprontei, fui castigado fisicamente sim, mas daqueles que me castigaram por impaciência ou incompetência, eu esqueci o nome. Os que me castigaram por quererem o meu bem, esses eu amo até hoje porque moldaram o meu caráter. Castigo por humilhação é diferente de castigo por educação. Ensino isso a meus filhos quando conto minhas histórias pessoais a eles, hoje. Jurandir Honda Em Tóquio (Japão) lê o site do Comércio da Franca

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários