Acabou a mamata. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Franca, José Nhozinho Sales Ramos, o “Paraná”, e seu diretor, Elias Marcos Rodrigues, não mais poderão receber salários em duplicidade. Por 15 votos a 0, os vereadores aprovaram, na sessão de ontem da Câmara, um substitutivo à Lei Orgânica do Município que determina um único pagamento. Caberá aos próprios sindicalistas a definição: ou recebem pela Prefeitura ou pelo sindicato.
Ao contrário do que ocorreu nas últimas sessões, desta vez, “Paraná” e seus assessores não compareceram à Câmara. Aparentemente, desistiram de pressionar os vereadores a recuar da iniciativa de acabar com o duplo salário. “Paraná” já havia percorrido caminhos diferentes para não perder a regalia, desde o uso da Tribuna à tentativa de abortar, via Judiciário, o substitutivo. Fracassou em ambas.
Para os vereadores, foi a chance de a Câmara corrigir uma situação que se arrastava há anos. “Não tem nem o que dizer. O caminho era esse. Todo mundo que trabalha em um lugar só não recebe duas vezes”, disse Marcelo Valim (PSDB). “Tenho certeza de que fizemos o mais justo”, completou Zezinho Cabeleireiro (PTB).
Desde 2003, os pagamentos são feitos em duplicidade. A Prefeitura deposita os salários de “Paraná”, que é serviços-gerais da Secretaria de Obras, e de Rodrigues, eletricista, mesmo estando ambos afastados para exercer a atividade sindical.
Juntos, ganham perto de R$ 2 mil mensais. Os dois também recebem outro ordenado, no mesmo valor, pago pelo sindicato, sob o argumento de ficarem “24 horas à disposição” da entidade.
O vice-presidente, José Joel Garcia, que comandou o sindicato antes de “Paraná”, também teve sua participação suspensa, em julho último, após romper com o atual presidente, e voltou para a Guarda Municipal.
CONSELHO DE ÉTICA
Ainda sobre salários, outra questão ganhou espaço. O vereador Gilson Pelizaro (PT) confirmou que protocolou queixa no Conselho de Ética contra Marcelo Valim. Para o petista, o tucano não poderia acusar, na Tribuna, outros parlamentares de dividir o salário de seus assessores (R$ 1,9 mil) entre duas ou mais pessoas. “Ele não pode denunciar assim, sem provas, porque generaliza. Dá a impressão que todo mundo faz isso”, reclama. “Ele que faça o que quiser. Estou tranqüilo e não retiro o que disse”, rebateu Valim.
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