Ulisses: ‘Não tem explicação para o que fiz’


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A investigadora Lara representa Luciene de Jesus, 28, mulher de Ulisses Pereira Geraldo, 22, acusado de matá-la. Na primeira foto, a discussão no banheiro; depois, o estrangulamento
A investigadora Lara representa Luciene de Jesus, 28, mulher de Ulisses Pereira Geraldo, 22, acusado de matá-la. Na primeira foto, a discussão no banheiro; depois, o estrangulamento
Ulisses Pereira Geraldo, 22, e a filha de 2 anos continuam morando na mesma casa em que ele confessou ter enforcado a mulher Luciene de Jesus, 28. Ele está em liberdade e segue trabalhando como motorista. Faz entregas na região. Uma semana após o crime, ocorrido no Jardim São Luiz, o réu confesso mostrou à polícia como foi o assassinato. Voltou a dizer que agiu motivado por ciúmes ao ouvir a companheira citar o nome de um amante durante relação sexual e que está arrependido. A polícia desconfia da versão. O assassinato aconteceu no dia 11 de setembro e Ulisses se apresentou dois dias depois. Em depoimento de quatro horas, disse que mantinha relações sexuais com Luciene no banheiro após uma discussão e que ela teria confundido seu nome ao dizer “Vai Juninho, não pára, Juninho”. A reconstituição foi realizada ontem à tarde pela equipe de homicídios da DIG e serviu para a Polícia Civil esclarecer as dúvidas existentes. A discussão durante o banho foi simulada e fotografada, assim como as agressões e o enforcamento no quarto do casal. [FOTO2] Depois da encenação, Ulisses falou com exclusividade ao Comércio. “Foi doloroso relembrar tudo isto. Já basta ter que carregar esta culpa pelo resto da vida”. Admitiu que vinha brigando com freqüência com a mulher por ciúmes e ter se enfurecido ao ouvi-la citar o nome “Juninho”. “Ela falou o nome na hora errada. Vai Juninho. Dei um empurrão nela e fui para o quarto. Ela foi atrás e disse que eu estava bravo porque não fazia igual ao Juninho. Foi a hora que perdi o controle. Fiquei louco de raiva e nem vi o que fiz. Quando dei conta, ela já estava morta”. Ele nega ter agido sob a influência de drogas ou de bebida alcoólicas. Teria empurrado o corpo para debaixo da cama para a filha não ver a mãe morta e afirma estar arrependido. “Por mais que ela (a mulher) estivesse errada, não tem explicação o que fiz. Não vou esquecer nunca. Olho na minha filha e lembro disso, né? Estou com a cabeça doendo até hoje”. Para o delegado Márcio Murari, há dúvidas em relação à versão. “Estamos tentando entender a real causa do crime. A gente vê com ressalvas o fato de ele alegar que a mulher o chamou por outro nome. Temos depoimentos de que Luciene pretendia se separar devido ao excessivo ciúme que ele tinha”. Como escapou do flagrante, não atrapalha a condução do processo e contribui com a polícia, Ulisses deverá aguardar ao julgamento em liberdade. “De qualquer maneira, já estou condenado pela minha consciência”.

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