Me ajudem a entender o governo


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Os últimos desastres colocaram em evidência a politização dos cargos no governo federal. O PT sempre considerou o alto escalão como cargos meramente políticos, mas a prática vai mostrando que eles são mais técnicos do que políticos. Vou citar meu caso para servir como exemplo. Ultimamente tenho enviado ao presidente Lula diversas sugestões sobre situações que andam acontecendo no mundo e sobre a inexistência de semelhanças no nosso País. Recebi respostas do Ministério das Minas e Energia sobre algumas dessas sugestões. Não posso deixar de reconhecer o esforço do governo em responder, porém, a estranheza das respostas exigiu-me fazer algumas considerações tanto ao Ministério quando ao presidente e parlamentares brasileiros. Foram oito cartas, sendo que cinco delas tratavam de energia: gás de bagaço de cana, biodiesel de alga, estratégia para investimentos externos em biocombustíveis, tanque solar por gradiente de salinidade e cogeração de energia. Para cada uma a resposta que me foi dada parece ser ‘padrão’, um cópia-cola de algum FAQ de Internet. E, pior, deixa, nas entrelinhas, mensagem que me coloca como alguém em dúvida sobre a capacidade do MME em cumprir sua missão. As informações também são ultrapassadas: informaram-me que o Brasil importa energia elétrica da Argentina, quando acontece o contrário (segundo os jornais, é o Brasil quem está exportando para a Argentina). Também está desatualizado o dado sobre a produção de energias de fontes renováveis que em 2005 foi de 44,5% do total, enquanto a média mundial é de 13,1% (em 2004). Porém, consultando o site do MME, vê-se que em 2006 a média brasileira foi de 43,9% enquanto a média mundial está em 14%. Ou seja, o mundo melhora, mas o País piora. Algo preocupante é que o MME parece confiar demais na energia hidrelétrica. Parece que não conhecem a pesquisa do INPE, que prevê a desertificação do Sudeste e Centro-Oeste nas próximas décadas. A única medida que o MME fará com a minha sugestão (não sei qual delas) será informar os centros de pesquisa da PUC-RS, CEPEL e PUC-MG. O Governo não tem instituições próprias? E tem mais: chega a ser engraçado quando se coloca à disposição para futuros esclarecimentos. Esquecem-se de que não solicitei esclarecimentos, fiz sugestões. A Coordenação-Geral de Fontes Alternativas do MME parece dar pouca importância às novidades que pesquisei. Talvez seja muita pretensão minha achar que posso colaborar com o País, quem sabe? Enquanto isso, os EUA e o resto do mundo já estão produzindo etanol de celulose, diesel sintético de biomassa (lixo inclusive), biodiesel de alga, energia elétrica solar por conversão de luz e por coleta de calor, energia de maré, etc. Alguma semelhança com aviões trombando ou caindo? MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.

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