“Quando eu entro no meu quarto a viola olha pra mim e me chama”. A paixão e o talento são de Gabriel Blanco, de apenas 12 anos, que toca violão desde os 6 e é autodidata. Ele já abriu o show do Edson & Hudson, no Castelinho, em janeiro, e toca em diversas quermesses da região. O trabalho atual: um CD que ele próprio está produzindo em sua casa.
De Rolando Boldrin a Victor & Léo, passando por Tião Carreiro, o repertório da viola e do violão de Gabriel é vasto. “Meu pai toca violão e meu avô sanfona, aí eu me apeguei à música e comecei a tocar de ouvido. Toco desde música raiz até sertanejo moderno”.
A mãe de Gabriel, Fátima Blanco Sousa, 35, conta orgulhosa que o professor de viola que acompanha Gabriel há seis meses, Ronaldo Sabino, disse que o menino é um aluno difícil. “Ronaldo falou que os alunos deles costumam demorar três aulas para tirar uma música, Gabriel tira em uma”.
Disciplinado, como a mãe mesma faz questão de frisar, Gabriel divide o tempo entre os estudos - ele cursa a 6ª série no Sesi - e os instrumentos. “Somos privilegiados porque almoçamos e jantamos ao som de viola. O Gabriel não é de ir pra rua e quando usa a internet é para a música também”, conta o pai, Claudinei Marques de Sousa, 36.
O pequeno talento baixou um programa da internet para produzir seu CD. “Eu gravo o violão, depois coloco os acompanhamentos, como a bateira, e depois canto. Já gravei seis músicas, do Bruno & Marrone, do Boldrin e do Tião Carreiro. Vou gravar mais umas seis músicas e depois distribuir para meus amigos e parentes”.
Fátima acompanha o sonho do filho de perto. “Nós não forçamos nada, apenas o acompanhamos porque ele gosta. Ainda não caiu a ficha do tamanho do talento dele. Eu lembro quando ele tinha 3 anos e subia nas mesas para tocar uma viola que ele ganhou. É um dom”.
Com um aparente jeito tímido mas um discurso seguro de quem sabe o que quer, Gabriel promete ser um sucesso do sertanejo. Questionado sobre formar uma dupla, ele é enfático na resposta. “Estou esperando meu irmão Mateus, de 4 anos, crescer.
Ele é que vai cantar comigo”. O pequeno Mateus segue os passos do irmão mais velho e já canta com Gabriel algumas músicas.
Sobre a experiência de abrir um show para 7 mil pessoas e da sua dupla favorita, Gabriel revela seu sonho. “Quando eu olhei para o público antes de entrar no palco, me deu frio na barriga de ver tanta gente. Mas depois que comecei a tocar passou o nervoso. O pessoal até cantou comigo. Eu me imaginei fazendo meu próprio show e dando lugar para outra pessoa como eu para abrir meu show”.
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