Educadores, pedagogos, psicólogos, terapeutas em geral, são unânimes em afirmar que, ante a onda de violência que assola a humanidade, é preciso que, na família, sejam estabelecidos limites e regras para os filhos. Entendem eles que, assim, muitos dos problemas que a sociedade enfrenta estariam resolvidos. Mas como estabelecer limites?
Fica parecendo aquela história dos ratos e o gato. Quem vai pôr o guizo no pescoço do gato? Analisando vamos encontrar inúmeras causas, não uma só. A desestruturação da família que, na maioria das vezes, começa por uma gravidez não desejada, é uma. Depois, há despreparo dos cônjuges para o matrimônio. Muitas vezes, já se casa com a perspectiva da separação. “Se não der certo, a gente separa”.
Como sabemos, o casamento apresenta percalços, porque é o encontro de duas personalidades diferentes. Daí, os conflitos! E, como não há a predisposição para a aceitação do outro como ele é, decide-se pela separação, criando-se uma onda de conflitos que se estende ao infinito. Então, como estabelecer limites?
A atitude mais comum é pelo autoritarismo, isto é, pelo exercício da força, pela imposição. E, como já está demonstrado à saciedade, o autoritarismo não leva à consecução de qualquer objetivo. A outra alternativa é pela autoridade (diferente de autoritarismo). E a autoridade advém da força moral que surge quando quem determina vive o que pede aos outros que façam. E esta força moral só existe com o exemplo! Por isso, Emmanuel - o sábio mentor de Chico Xavier - dizia: “As palavras convencem, mas o exemplos arrastam”.
Assim, para estabelecer limites aos familiares, é preciso que os pais assumam a responsabilidade de, eles próprios, vivenciarem o que solicitam aos seus filhos. Aí está a verdadeira responsabilidade dos pais! Além de alimentarem, vestirem, tratarem dos corpos de seus filhos, aos pais cabe a inadiável tarefa de educarem seus filhos. E educação pelo exemplo, não por palavras! E não estamos falando, apenas, da informação da ilustração cultural. Não. Falamos da educação integral, formadora de bons hábitos, de caráter morigerado.
E aqui entra o aspecto religioso, como fator indispensável para a melhoria educacional dos espíritos que Deus nos confia por algum tempo. Como vemos a religião? Exteriormente? Como prática semanal? Como compromisso social? Religião é muito mais do que isso! É uma atitude interior, de compromisso com a própria consciência. Vê-se, de imediato, que não estamos falando de uma religião, mas sim, da religiosidade sincera que deve imperar na família. Por isso que no espiritismo, recomendamos que toda família se reúna, pelo menos, uma vez por semana, em horário previamente combinado, para uma oração em conjunto. É o que denominamos Culto do Evangelho no Lar, com o qual começamos a aprender que os limites começam por nós e em nós!
FELIPE SALOMÃO é bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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