Vendedora cai de caminhão e é esmagada pelas rodas


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Lúcia Helena trabalha como enfermeira em Restinga há 20 anos. Na cidade, é difícil encontrar alguém que não tenha sido atendido por ela. Na manhã de ontem, foi chamada para dar socorro a um acidentado. Ao chegar no local, o coração disparou e as pernas bambearam. A vítima era sua irmã, a vendedora autônoma Jusilene Delpilaro, 39, conhecida por “Tutéia”. Ela havia caído de um caminhão em movimento e as rodas passaram sobre seu corpo. A enfermeira acompanhou os últimos suspiros da irmã. Seus esforços para salvá-la foram em vão. Foi a quarta morte por atropelamento na região desde a noite de sexta-feira e a 21ª em 2007. A fatalidade chocou os moradores de Restinga. “Tutéia” era popular na cidade. Dona de um bar na Rua Geraldo Veríssimo, Centro, chegou a tentar uma vaga na Câmara de Vereadores. Em dificuldades financeiras, fechou as portas do estabelecimento e vinha trabalhando como vendedora de carvão. Buscava o produto todas as manhãs na Fazenda Boa Sorte para distribuir pela região. Saiu de casa às 7 horas de ontem em direção à fazenda. Ocupava o banco de passageiro de um caminhão Ford ano 77, dirigido por Renato Alves Valério. A amiga Rute Valério sentava no meio. Em frente ao cemitério, no ponto em que termina o trecho asfaltado, o veículo passou por um buraco e a porta do lado direito se abriu. “Tutéia” se desequilibrou e caiu. O motorista ainda tentou frear, mas as rodas traseiras passaram sobre o corpo da mulher. Ao perceber o estado da vítima, Rute ligou de seu celular para o posto de saúde de Restinga. A enfermeira Lúcia Helena foi a escolhida para fazer o atendimento. “Não sabia que era minha irmã. Levei um susto muito grande ao ver que era ela. Como a situação, era grave, resolvemos levá-la direto para Franca. Foi a viagem mais longa de minha vida. Não chegava nunca. Eu falava: ‘Meu Deus do Céu, ela vai morrer aqui’”. A vítima não tinha ferimentos externos, mas mal conseguia falar. As rodas haviam fraturado suas costelas e perfurado o baço. “Tutéia” morreu logo após dar entrada na Santa Casa. Seu corpo está no velório de Restinga e será sepultado hoje, às 8 horas, no Cemitério Municipal da cidade, com trabalhos da Funerária São Francisco. “A perícia esteve no local e coletou as informações. Dependendo do resultado, o motorista poderá responder por homicídio culposo”, disse o investigador Giora. Em 2007, quase 60 pessoas já perderam a vida em acidentes de trânsito em Franca e região, 21 por atropelamento. As previsões indicam que, até o fim do ano, o total pode chegar a cem mortes.

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