Era uma tarde de quarta-feira como outra qualquer para o universitário Vitor*, até ele receber a notícia indesejável de um amigo: “Ó véi... você foi chifrado ontem”. Sua namorada havia beijado outro cara na esquina da faculdade. “Puxa, perdi o chão. Nunca imaginei que ela faria isso comigo”, disse. O relacionamento terminou no quinto mês de namoro.
Que atire a primeira pedra quem nunca passou por esta situação, seja como traído, traidor ou delator. Segundo a psicóloga Maria Tereza de Oliveira, a traição é comum e maior entre os jovens. “Por causa da imaturidade, eles são menos comprometidos em seus relacionamentos. Um adulto tem consciência do que uma traição pode causar. O jovem nem sempre”, disse.
Entender os motivos que levam uma pessoa a trair outra ainda é um desafio e pode variar de caso a caso. “Mas uma coisa nós, psicólogos, sabemos: os jovens do sexo masculino normalmente traem porque gostam da sensação de aventura, de provar algo diferente e, teoricamente, arriscado. Não buscam compromisso. Já as garotas, na maioria das vezes, traem por estarem insatisfeitas com o relacionamento e pretendem, com isso, fazer a ponte para se separar de vez do antigo parceiro”, disse Maria Tereza.
De acordo com um dos detetives da Empresa Anjo de Investigações e Auditorias, que preferiu não se identificar, os homens ainda traem mais que as mulheres, mas elas também engrossam as estatísticas. “Podemos dizer que 70% das traições são cometidas por homens, mas os casos envolvendo mulheres vêm crescendo”. Por mês, mais de 15 pessoas procuram o detetive para investigar casos de adultério em Franca e região. O contrato destes casos dura, no mínimo, cinco dias. “Temos o prazo de uma semana para descobrir se há uma terceira pessoa no relacionamento”, disse o detetive. A empresa cobra cerca de R$ 2 mil.
Uma vez descoberta, a traição pode desencadear reações que vão do perdão a um ódio que, muitas vezes, termina provocando agressões. Para a psicóloga Maria Tereza, não há como prever os efeitos que o envolvimento do parceiro com outra pessoa pode causar. “Cada pessoa tem uma personalidade e reage aos acontecimentos de forma distinta. Só mesmo sendo traída para saber qual a reação essa pessoa teria. Agora se ela já comprovou o fato, é hora de pensar se compensa ou não retomar o relacionamento e essa escolha deve ser exclusivamente dela”, disse.
Agora se o traidor foi você e seu único desejo no momento é retomar o seu relacionamento e esquecer a “escapadinha”. A psicóloga Gisela Bittar dá as dicas: “mostrar que está arrependido é um bom começo”. Para ela, a pessoa ainda deve deixar claro que a traição não vai acontecer de novo. Conversar e explicar porque traiu e sentiu essa necessidade de se relacionar. “O traído tem o direito de saber porque isso aconteceu e, se houver sinceridade nas respostas, o caminho para uma reconciliação será mais fácil”. Ela garante que “presentear não basta”. Para as pessoas que sentem dificuldades em reconstruir a vida, a recomendação é que procurem ajuda profissional. “Fazer uma terapia vai ser bom para ela enxergar o motivo que a faz trair ou para ajudá-la a superar a mágoa de ser traída”.
* O nome foi trocado a pedido do entrevistado
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