Os vereadores prometem acabar, na terça-feira, com a duplicidade de salários dos diretores do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais. Nove dos 15 parlamentares foram ouvidos no sábado e tiveram a mesma postura. Para eles, a situação não pode ficar como está. Atualmente, o presidente do sindicato, José Nhozinho Sales Ramos, o “Paraná”, e o diretor Elias Marcos Rodrigues recebem dois salários, um da Prefeitura, de onde são afastados, e outro da entidade. O vice-presidente, José Joel Garcia, perdeu a regalia em julho, por ter rompido com “Paraná”.
O fim da duplicidade poderá ocorrer por meio de um substitutivo à Lei Orgânica que prevê a opção dos sindicalistas em receber do poder público ou da entidade. A proposta é de autoria de Jepy Pereira (PSDB).
Consultados, os vereadores foram ásperos em suas colocações sobre o assunto. Até o ponderado Zezinho Cabeleireiro (PTB) demonstra estar irritado e afirma que a Câmara tem de interferir. “Eu tenho dois salários também, um na Câmara e outro no meu salão. Mas mereço, porque trabalho nos dois lugares”, diz Zezinho. “Receber sem trabalhar tem que parar”.
Outro que criticou a mamata é Marcelo Valim. Ele diz que é hora de “cortar as asas” dos sindicalistas, que, para ele, estão mal-acostumados. “Tem pessoas ganhando R$ 300 por mês que estão dando graças a Deus e esses caras numa boa, ganhando dois salários? Isso é absurdo”, afirma.
“Paraná”, por sua vez, tenta manter a duplicidade. Criticou a imprensa, utilizou a tribuna e buscou impedir, na Justiça, que os vereadores votassem o substitutivo. O juiz não aceitou seus argumentos e repassou a decisão à Câmara. “Acredito que não adianta ele correr atrás. A situação não pode perdurar como está”, disse Silas Cuba (PT). Na votação em primeiro turno, o placar foi de 15 a 0 favorável ao fim da duplicidade.
BATE-BOCA?
Se o caso dos sindicalistas está praticamente fechado, outro projeto de lei deverá gerar muita discussão. É a matéria de autoria de Marcelo Mambrini (PMN) que determina a abertura da Câmara Municipal aos sábados, entre 8 e 13 horas. Da primeira vez que o projeto foi a plenário, houve muita polêmica e quase virou briga entre Mambrini e Jepy Pereira.
Jepy não gostou da idéia e se referiu a Mambrini como “asno vereador”, por considerar o projeto irrelevante. O ex-policial militar, que não estava na sessão, ficou possesso. Ameaçou brigar, representou no Conselho de Ética, disse que procuraria a Justiça e ficou “bicudo” com o tucano por alguns dias.
O clima ruim chegou ao fim poucos dias depois, em um churrasco na casa de Jepy, onde os vereadores selaram a paz. “Não adianta guardar raiva. Temos de saber perdoar”, disse Mambrini. Resta saber como será a nova discussão.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.