Deus ama infinitamente


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O Senhor se alegra com todos os que se reconciliam com ele e passam a servir ao Pai, rico em misericórdia e querem louvar e bendizer seu nome, cantando: “Como é grande, ó Pai, a vossa misericórdia”. A palavra de Deus traz para nós, neste domingo, uma certeza e um compromisso: certeza de que Deus é rico em misericórdia e não deseja perder nenhum de seus filhos; e o compromisso de amar indistintamente e acolher com júbilo quem se afastou e regressa. A primeira leitura é do livro do Êxodo que relata a infidelidade do povo amado de Deus que o abandona e constrói um bezerro de ouro para adorar. O texto revela a indignação divina diante desta infidelidade. Moisés, suplica ao Senhor para que não castigue o seu povo. Ele se comporta como uma criança que vê o seu pai carrancudo e começa a agradá-lo, até conseguir arrancar-lhe um sorriso. Moisés, meigo, fala com doçura, e Deus, encolerizado, precisa ser acalmado. O grande e único motivo que permite esperar a salvação de qualquer homem é o amor infinito de Deus, aquele amor que nunca será vencido por qualquer infidelidade, por maior que ela seja! Deus vê o seu povo aflito e se dirige a eles como Pai. A segunda leitura é um trecho da 1ª Carta a Timóteo. Paulo afirma que Deus se serviu dele como de um exemplo para mostrar como é grande a sua magnanimidade. Se alguém como ele, inimigo da fé, “o primeiro entre os pecadores”, conseguiu misericórdia, poderá alguém ter ainda medo de que Deus o trate com severidade? A segunda leitura quer retirar a idéia errada que às vezes temos de Deus: ele salva os justos e castiga os maus. Como é possível que Deus castigue os maus, se Jesus veio justamente para salvá-los? Paulo reconhece que Jesus veio para revelar a misericórdia de Deus aos pecadores. No evangelho nos são propostas as chamadas “parábolas da misericórdia”. São três: a ovelha desgarrada e resgatada; a moeda perdida e reencontrada e o filho pródigo. Estas parábolas manifestam o modo de o Pai agir. Jesus, em vez de esquecer o que se perdeu, vai, como Filho e herdeiro do Pai, em busca do que está perdido, do que está a caminho de se perder ou do que vai se perder. Na dimensão da misericórdia, não basta conformar-se com a sobra. É preciso preocupar-se com o que se perdeu ou com o que está se desgarrando. A parábola do filho pródigo divide-se em duas partes: as peripécias do filho rebelde que parte e, após esbanjar tudo e provar a fome, regressa, arrependido, ao convívio familiar, sendo acolhido de braços pelo pai, que não o censura nem o castiga. Na outra parte encontra-se a reação do filho mais velho, que se julga justo, obediente a todos os preceitos e ordens e que não compreende a atitude de seu pai em relação ao seu irmão. O filho mais novo também errou. Ao lançar-se à aventura, faz da vida um momento. O filho mais velho erra por considerar-se justo, é cheio de si mesmo. O pai ama os dois filhos. As transgressões dos filhos não anulam o amor do Pai. Sua bondade, seu afeto e seu amor misericordioso encorajam os filhos que erram e desejam regressar ao convívio familiar. Como o pai da parábola, Deus fica à espreita do nosso regresso quando dele nos afastamos. A volta é sempre festa, alegria! PREOCUPAR-SE COM A MINORIA No mundo atual tem sucesso o que é grandioso, exuberante. Vivemos uma onda de discriminação. Na onda desse ensinamento tem valor o “ter” e não o “ser”. Somos pródigos em jogar fora tantas coisas, gostamos do supérfluo. Especialmente o evangelho quer nos ensinar a “sensibilidade” que o homem de fé deve possuir por tudo que não reluz, por tudo que outros rejeitam, por aquilo que parece insignificante. O “precioso” está naquilo e naqueles que buscam ter atitude simples e prestativas que enobrecem a alma de quem doa e cala, profundamente, na alma que recebe. FUTILIDADE Com a lição da grandeza o coração humano é corrompido pelos excessos e por toda manifestação de futilidades. Muitas pessoas vivem às custas do prazer que outros, iludidos, se submetem pelo desejo de aparecer, de estampar imagens que não condizem com o momento real que os mesmos vivem. Na lista de futilidades, um “flash” é tudo. No mundo agressivo que experimentamos, o “anonimato” é a melhor proteção e o maior sucesso! FANTASIA OU OMISSÃO! Já que a vaidade ou a grandeza é que valem para muitos, é fácil rejeitar tudo o que expressa sinais de perda ou que prejudica uma imagem ideal. Facilmente rejeitamos pessoas, situações ou objetos que não são belos, pessoas que não produzem e o que retrata a verdade que somos. Jesus ensina o contrário: visitou Zaqueu, perdoou a pecadora pública, acolheu as crianças, compreendeu Mateus, esteve sempre junto dos fracos, rejeitados e maltratados. E disse: o que fazeis aos pequeninos é a mim que fazem. SABER ACOLHER, PERDOAR No episódio do filho pródigo, o irmão mais velho, “cheio de si” espelha o procedimento farisaico de quem se considera justo e, por isso, dispensa ser objeto de um olhar misericordioso que preenche de dignidade humana e graça divina o pecador arrependido que volta ao Pai. Não é fácil perdoar, é mais fácil condenar. O pai do filho pródigo expressa o coração de Deus que acolhe e perdoa. É difícil, mas é o que se faz necessário realizar. PENSAMENTO Que a celebração eucarística expresse a alegria de nosso encontro com o Pai amoroso que acolhe, perdoa e nos faz entrar na sua intimidade!

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