Milagre econômico da Irlanda


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No recente seminário sobre Inovação, promovido pelo Projeto Brasil (www.projetobr.com.br), um dos casos mais interessantes foi o da Irlanda, país que se transformou totalmente nas últimas décadas, graças a políticas de atração de empresas de conteúdo tecnológico. A apresentação foi feita por Evandro Mirra, diretor da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial). Criar uma cultura para a inovação exige um amplo entendimento entre governo e sociedade. Não bastam políticas soltas. É necessário que empresários, instituições, governos reconheçam a importância de se inovar produtos, processos e modelos de negócio e se crie um ecossistema favorável. Vinte anos atrás a Irlanda conseguiu montar um pacto em torno desse objetivo. Nos últimos vinte anos, o país cresceu na média 7% ao ano. O desemprego caiu de 13% para 4% da população economicamente ativa. O PNB/per capita subiu para 31 mil euros. Houve reversão da imigração: os irlandeses voltaram para ajudar no desenvolvimento do seu país. Finalmente, a Irlanda deixou de depender do Reino Unido, que passou a respondeu por 30% do seu comércio exterior, contra 75% do período anterior. O país tornou-se vanguarda e porta de entrada para produtos tecnológicos na União Européia. O início do processo foi um pacto entre governo, sindicatos e empresas, o "National Economic and Social Forum". A estabilidade macroeconômica passou a ser incluída na plataforma de todos os partidos. Definiram-se limites para as reivindicações salariais, junto com redução de impostos, marcos regulatórios claros, investimento público em infra-estrutura e educação. E uma política agressiva de incentivos fiscais, doação de terrenos e garantia de infra-estrutura para atrair investimentos externos. Para definir as prioridades do país, foram analisados oito setores de alta tecnologia, entre os quais o químico-farmacêutico, tecnologia da informação, saúde e ciências da vida. Sem abandonar os demais, decidiu-se concentrar esforços em TICs (tecnologia da informação) e em biotecnologia, através da implantação de um fundo para ciência e tecnologia. Muitas multinacionais foram atraídas, permitindo um crescimento expressivo no comércio exterior. O modelo conseguiu atrair a manufatura de alta tecnologia, grandes multinacionais farmacêuticas, como a Pfizer e a Glaxo, e de informática, como a Intel, Dell e Microsoft. O país tornou-se um dos maiores exportadores de software do mundo. Nos últimos anos, o crescimento perdeu fôlego. De 10% na média anual de 1995-2000, caiu para 6,1% no período 2001-2004 e para 4,3% em 2005. O diagnóstico foi que o modelo seria insuficiente se se limitasse apenas a atrair empresas de alta tecnologia com incentivos, sem tratar de criar uma inteligência nativa. Montou-se um novo programa para o período 2007-2013, tratando de investir em pesquisa de ponta, na busca da excelência e no aumento do gasto em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). Hoje está abaixo de 1% do PIB. A meta será elevá-lo para 2,5% do PIB em 2010. Os engenheiros No Brasil, apenas 16% dos universitários se formam em engenharia. Na China esse percentual chega a 52%, 41% na Coréia do Sul, 38% em Taiwan, 33% na Rússia, 30% na Irlanda. O nível do Brasil é similar ao dos Estados Unidos, com 17%. Mas o perfil da economia brasileira é muito mais próxima dos países asiáticos. Crise européia - 1 A crise do "subprime" afetou muito mais os bancos europeus do que os americanos. Estimam-se em US$ 500 bi as perdas dos europeus. Na sexta, o Ecofin (Conselho de Ministros de Finanças da UE), a Comissão Européia (o órgão executivo da UE) e o BCE (Banco Central Europeu), se reuniram para acalmar os investidores. O presidente rotativo do Ecofin, o português Fernando Teixeira dos Santos, falou em "pequeno risco para o crescimento". Crise européia - 2 Segundo a agência EFE, o espanhol Joaquim Almunia, responsável de Assuntos Econômicos e Monetários da Comissão Européia, também insistiu no pequeno "impacto" no crescimento da economia européia este ano - previsto para 2,5% na eurozona e a 2,8% no conjunto da União Européia. Apenas o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, não quis falar sobre a crise: "O momento é de correção dos mercados". Crise européia - 3 Os ministros salientaram a solidez do marco regulatório do sistema financeiro europeu. Apresentaram algumas propostas para aumentar a liquidez. E centraram as críticas nas agências de classificação de risco que, segundo a própria Comissão Européia, foram excessivamente lentas para prever a crise hipotecária americana. Crise européia - 4 As declarações dos ministros europeus ocorreram simultaneamente com a queda das ações das principais instituições financeiras européias. O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações das empresas européias, caiu 1,07%. A bola da vez foi a britânica Northern Rock, cujas ações caíram 31%, depois que precisou tomar empréstimos junto ao Banco da Inglaterra. Junto com ela caíram as ações do HBOS, Barclays e Société Générale (2,3%).

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