Não concordo com o enfoque do artigo porque, se é verdade que a organização das práticas de guerrilha haviam se estabelecido antes de 1964, também é verdade que o regime militar evitou o quanto pode o estabelecimento da anistia, mesmo que recíproca. O regime militar não concebia a anistia mesmo para seus opositores que não pegaram em armas. Muitos foram massacrados e até hoje estão desaparecidos. Enfatizo: muitos daqueles que não pegaram em armas e faziam oposição legal foram presos, torturados e mortos. É preciso definir bem que a vitória da democracia foi resultado de uma correlação de forças que isolou os elementos mais violentos e mesmo fascistas do regime militar. A anistia que se conquistou foi recíproca e resultou de um acordo político. É isso que nos garante os “ares de democracia” que respiramos. Romper com isso é perigoso e será negativo para o País. Conhecem-se os fatos e as circunstâncias que levaram à morte aqueles que defendiam o regime militar (ainda que essa defesa fosse por obrigação e não por convicção). Contudo, muitos daqueles que lutavam politicamente, sem armas na mão, ainda permanecem desaparecidos. É esta a verdade que ainda o País tem que resgatar. (Leia o artigo que o leitor contesta em http://www.comerciodafranca.com.br/mate-ria.php?id=20833)
Alberto Aggio
é professor universitário e leitor do Comércio da Franca
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