Matias Júnior, proprietário da Gelateria Doce Tentação, está rindo de orelha a orelha. Daniela Martins, dona da Aguafran, também não tem do que se queixar. Eles e outros vendedores estão comemorando o aumento nas vendas de sorvetes, ventiladores, máquinas de suco, biquínis e outros artigos. A razão para as vendas estarem mais aquecidas é o calor que tanto inferniza a vida das pessoas.
Neste mês, a média da temperatura máxima registrada em Franca ficou na casa dos 27 graus. Para complicar, há pelo menos 15 dias, a umidade relativa do ar está abaixo dos 30%, o que deixa o clima mais seco e abafado.
Matias, da sorveteria, fala em 40% a mais de lucro nos meses de agosto e setembro de 2007 do que no mesmo período do ano passado. “Em 2006, na semana do feriado da Independência, o movimento foi ruim demais porque estava chovendo. Neste ano, melhorou bem, afinal estava quente, era feriado e dia pós-pagamento”.
Para atender à demanda e manter a gelateria abastecida, Matias precisou alterar a rotina de produção. “Antes fabricava sorvetes a cada dois dias, agora faço diariamente”.
Os últimos dois meses e a véspera do feriado de 7 de setembro também foram bons para os negócios nas lojas Sport Total e Biquínis & Cia. “Sinto que as vendas estão maiores neste ano, especialmente em setembro. Na véspera do feriado, vendemos bem mais que na de 2006”, disse Leninha Neves, proprietária. As duas lojas dela bateram recorde de vendas na semana passada. “No dia 6 de setembro, vendemos 622 peças de maiôs, biquínis e cangas contra 918 na semana inteira de 7 de setembro do ano passado”.
Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), 2007 está mais quente mesmo. Na primeira quinzena de setembro de 2006, a temperatura mínima média marcada em Franca foi de 15,4 graus e a máxima média 26,2 graus. No mesmo período deste ano, está maior. Foram 17 graus e 27,7 graus, respectivamente.
Na cidade, os segmentos que trabalham com bebidas também sentem os reflexos do calorão. Na Aguafran, segundo a proprietária Daniela Martins, o movimento triplicou nas últimas duas semanas. “As fábricas de calçados e bancos, onde há um fluxo alto de pessoas, aumentaram os pedidos. Antes pediam galões uma vez por semana e passaram a comprar no mínimo duas vezes por semana”. Na Toda Hora Água, a venda de 70 unidades diárias saltou para 100 desde agosto.
As casas de sucos também estão vendendo bem. Localizada na Vila Aparecida, a Lanchonete Sabor Natural chega a usar uma caixa com 120 laranjas por dia para preparar 12 litros da bebida quando está muito quente.
Além de sucos e água, para se refrescar, muita gente prefere mesmo um bom circulador de ar. Não é à toa que as vendas desta linha de produtos no Magazine Luiza e lojas do mesmo ramo cresceram.
No Sesi, as altas temperaturas anteciparam o movimento típico do verão. Nos meses desta estação, a freqüência no clube é 25% maior que nos outros meses dos anos. “‘Praticamente já atingimos esse patamar. A movimentação está maior neste ano, que está mais quente. Nem tivemos frio em 2007”, disse Aldo Rocha Júnior, que calcula receber 800 pessoas por dia para nadar. Visitantes pagam R$ 5 pela diária para usar piscinas, quadra e quiosques.
Crianças menores de 4 anos têm entrada gratuita.
O motivo de tanto calor é uma massa de ar quente estacionada sobre o Estado de São Paulo que só deve perder força a partir deste domingo.
Colaborou Patrícia Paim
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